Cientistas advertem sobre possíveis danos da luta contra mudança climática

A aplicação de algum dos planos pensados para diminuir o fenômeno da mudança climática poderia ter consequências desastrosas para milhões de pessoas, apesar de serem necessários para salvar o planeta, advertiu nesta quarta-feira um estudo científico.

Essa é uma das conclusões extraídas por uma pesquisa conjunta desenvolvida por especialistas das universidades britânicas de Leeds, Bristol e Oxford sobre o que se conhece agora como geoengenharia ou engenharia climática.

A geoengenharia coloca modelos teóricos que, em algumas ocasiões, parecem extremos, como o que propõe “bombardear” a atmosfera com partículas de sulfato que, como um guarda-chuva, criariam sombra sobre a superfície terrestre e ajudariam a diminuir a temperatura.

Outros teóricos deste campo propõem “fertilizar” o oceano com ferro para favorecer que as algas absorvam dióxido de carbono, ideias que frequentemente foram alvo de críticas, por exemplo, de organizações ambientalistas.

Neste contexto está o estudo das três universidades citadas, que aspira explorar em mais detalhe os efeitos dessas teorias e oferecer fatos científicos.

Em entrevista à emissora “BBC”, um de seus autores, Matt Watson (Universidade de Bristol), disse que, na realidade, as questões que rodeiam a geoengenharia -como poderia ser útil ou quais são seus pontos a favor e contra- “são muito, muito complicadas”.

“Não gosto da ideia, mas cada vez estamos mais convencidos de que temos que investigá-la. Pessoalmente, estas coisas me parecem aterrorizantes, mas será preciso decidir se é melhor não fazer nada, seguir igual e chegar a um mundo com uma alta da temperatura de 4 graus centígrados”, reconheceu o especialista.

Para sua pesquisa, os cientistas recorreram a modelos informáticos que simulavam os efeitos que poderia chegar a ter o uso de diferentes tecnologias no marco da aplicação de uma teoria da geoengenharia.

Um dos achados mais significativos é que nenhum dos cenários imaginários colocados mostrou que a temperatura média do planeta voltaria a se situar nos níveis registrados entre 1986 e 2005, o que sugere que, talvez, a aplicação de um determinado fato deve se prolongar mais no tempo.

Em outra instância, os cientistas acharam evidências de que a aplicação de alguma dessas teorias da engenharia climática poderia provocar graves mudanças no regime de chuvas, o que poderia ter um efeito catastrófico para milhões de pessoas.

Por exemplo, o simulador informático para provar a chamada “gestão da radiação solar”, que bloquearia os raios do sol, demonstrou que essa técnica poderia reduzir a temperatura global, mas exerceria profundas mudanças nas precipitações durante a monção.

“Descobrimos que entre 1,2 bilhão e 4,1 bilhões de pessoas poderiam ser negativamente afetadas por mudanças nos regimes de chuvas”, apontou o Piers Forster, da Universidade de Leeds. (Fonte: Terra)