‘Marcha dos Povos’ concentra multidão em evento paralelo à COP 20

Uma passeata pelo centro de Lima, no Peru, representou nesta quarta-feira (10) os desejos da sociedade civil de atitudes contra a mudança climática já em curso no mundo.

O evento é uma das principais atividades da Cúpula dos Povos, que ocorre em paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 20). Os diplomatas e cientistas reunidos no evento da ONU até o dia 12 de dezembro têm a missão de chegar ao “rascunho zero” de um acordo multilateral, que obriga as nações a cortar emissões de gases-estufa a partir de 2020.

Inicialmente, cerca de 2 mil pessoas se concentravam para dar início à passeata, segundo informações da polícia local. Uma das integrantes da marcha, que ocuparia as principais ruas da região central da capital peruana, era Eneida Chavez, que levou a filha, a pequena Lucero.

“Quero defender o meio ambiente para o futuro da minha família. Moro na Amazônia peruana e as águas estão contaminadas. Não estamos de acordo com projetos de desenvolvimento previstos para a região da floresta”, disse ela.

Francisco Jaminawa, da aldeia San Paulino, no Acre, disse que seu grupo exige a demarcação de terras feita pelo governo brasileiro e é contrário aos projetos de Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal). “Isso traz muitas complicações para os indígenas”, disse ele.

Proposta do Brasil é alterada – Nesta semana, a proposta do Brasil para acalmar o debate sobre a culpa histórica das emissões dos gases-estufa (que aumentam a temperatura do planeta) sofreu alteração no primeiro rascunho apresentado na COP 20. A mudança não agradou os negociadores brasileiros em Lima, no Peru.

O conceito, chamado de “diferenciação concêntrica”, teve sua versão original modificada e, segundo organizações sociais, passou a beneficiar apenas os países desenvolvidos. Para o negociador-chefe do Brasil na COP 20, José Antonio Marcondes de Carvalho, o conceito foi mencionado “de um jeito incorreto”. Na prática, deixa de ser considerada a proposta de divisão de obrigações entre os países. “Estamos trabalhando para recuperá-lo”, explicou.

O projeto brasileiro colocava os países em três níveis. Em cada um deles havia um “menu” de critérios para diminuir as emissões. Nações desenvolvidas ficariam no círculo central e teriam que fazer cortes em todos os setores da economia. Os emergentes, como Brasil, China e Índia, ficariam no segundo nível, com mais opções para frear o aquecimento. Países vulneráveis, como os Estados-ilha, não empreenderiam grandes ações e estariam no terceiro nível.

Segundo o Itamaraty, a proposta flexibiliza o conceito de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Isso significa que um país que “ficar rico” deverá trocar o nível de compromisso e fazer mais pela causa do clima. (Fonte: G1)