Grupo se une através de aplicativo para salvar animais em Divinópolis/MG

Sem sede própria e apenas com o desejo de lutar contra a covardia para tentar salvar a vidas de animais. Há duas semanas mais de 70 pessoas se uniram em prol desse ideal em Divinópolis e criou um grupo de resgate em um aplicativo para celular. A atitude dos integrantes tem feito a diferença e dentro desse curto prazo de atuação cinco cães já foram resgatados do abandono e de maus-tratos dos donos.

Um dos casos mais recentes é do cadela nomeada de Ana Vidinha, que foi abandonada pelos donos, que se mudaram. Junto havia outra cadela e há um mês, segundo a vizinha da casa, elas passavam fome, sede entre outras necessidades. E foi a própria vizinha que fez a denúncia aos integrantes do grupo “Ajude os anjos indefesos”. Eles foram até o local e fizeram o resgate das cadelas. A mais debilitada foi encaminhada para uma clínica veterinária. “Como somos um grupo que está começando agora priorizamos levar apenas uma delas para atendimento médico. A outra também estava debilitada, mas não tinha ferimentos e por isso ficou no local sendo alimentada pela vizinha. Quanto à que foi resgatada tinha muitos ferimentos”, contou Sandy Iara Esteves, que participou da ação.

O médico veterinário Wagner Santos, que faz o tratamento de Ana Vidinha, contou que dentro dos ferimentos nas costas da cadela haviam larvas que se multiplicavam rapidamente. “Devemos ter retirado cerca de 300 gramas de larvas das costas dela. Em seguida apliquei um remédio que faria com que essas larvas morressem. Feito isso, uma parte das costas dela que estava apodrecida foi retirada e agora ela segue em recuperação. Uma boa e surpreendente notícia é que ela está reagindo bem e tem se alimentado e ingerido água. Pelo abandono que essa cadela sofreu ela desistiu da vida, precisa ser forte para continuar a nos surpreender”, disse.

Ainda segundo o médico, o mais importante para a consolidação e organização do grupo que deseja salvar os animais é conseguir um lar temporário para os cães resgatados. “Não adianta salvar, resgatar e cuidar sem saber para onde o cão irá posteriormente. A atitude é muito nobre de fato, mas é preciso pensar e conseguir esses lares temporários e adoções definitivas”, comentou Wagner.

Como começou – A história começou com o cão chamado pelos integrantes do grupo de Vitório. Ele foi resgatado porque sofria maus-tratos do dono. Encontrado com ferimentos profundos e com partes do corpo dilaceradas, ele foi encaminhado para uma clínica veterinária, onde ficou internado por cinco dias e agora está em um lar temporário com a recepcionista Catarina Silva. “Quando encontramos o Vitório ele estava muito ferido poque era posto para brigar com outro pit tbul. Além disso, ele sofria muitos maus-tratos. Havia um espeto de churrasco na garganta e no pênis dele. Foi inacreditável a situação que ele foi encontrado”, contou Catarina.

O dinheiro para que Vitório ficasse internado foi doado pelos integrantes do grupo. “Se não fosse esse dinheiro não teríamos conseguido o tratamento adequado para que ele sobrevivesse”, destacou Caratina, que completou dizendo estar surpresa com as ações desenvolvidas pelo grupo. “Estou surpresa e grata a tudo que está acontencendo. Com isso tive a certeza de que tem mais pessoas para fazer o bem do que para fazer o mal. E espero que esse grupo possa crescer e salvar mais animais”, finalizou.

Além de Vidinha e Vitório também foi resgatado o Zac, um cão esfaqueado por usuários de drogas, que teve fraturas no maxilar nas patas dianteira e nas costas. Atualmente está em um lar temporário. O grupo também resgatou um poodle, que foi atropelado e até hoje não consegue andar, ele recebe cuidados de uma integrante do grupo.

Há ainda uma cadela abandonada em uma rua da área central da cidade. “Tenho certeza que esse grupo irá crescer muito ainda e com o pouco que cada um fizer vamos conseguindo fazer esses resgates e, se conseguirmos salvar a metade das vidas de animais que pretendemos, já é uma vitória muito grande”, contou Brenda que adotou temporariamente o poodle.

A empresária Aletele Tiradentes sabe a importância da luta pelos animais. Para ela, fazer parte do grupo tem sido uma realização pessoal. “Tenho me sentido muito realizada em fazer parte desse grupo. Ver a luta de pessoas que se uniram em nome de um ideal que é tão nobre de fato. Até então estávamos todos parados às vezes sem saber, o que fazer e até mesmo sem iniciativa. Com a criação do grupo, uma pessoa incentiva, apoia e dá força para as outras, isso faz as coisas caminharem. Os animais muitas vezes só querem ser amados e muitos nem sabem o que é isso, pois só tiveram vida de sofrimento, com humanos que só levam as mãos neles para machucar e não direcionam amor”, desabafou.

Uma das últimas a ser a ser integrada ao grupo, Edimara Martins contou que há muito tempo tinha vontade de fazer parte de uma associação que priorizasse o salvamento de animais. “Agora sinto que vou poder contribuir melhor. Vou poder direcionar esforços junto com um grupo e juntos vamos ser mais, certamente. Estou feliz e realizada podendo ajudar, mesmo com pouco, mas ajudar de maneira que que os esforços se somem”, comentou.

Todos do grupo sabem a importância da união para combater maus-tratos a animais e a estudante universitária Geovana Araújo Godói ressaltou que quanto mais pessoas unidas, mais animais serão ajudados. “Sempre que encontrarmos pessoas interessadas em fazer qualquer coisa por esses animais, seja deslocar de carro, fazer um resgate, doar ração, dinheiro para a consulta, ceder lar temporário e o mais importante: adotar, seremos eternamente gatos”, disse.

Geovana ainda acrescentou que as pessoas precisam entender que há muitos animais nas ruas e assim deveriam priorizar a adoção. “Certamente as pessoas poderiam se atentar para isso. Quanto ao grupo estou imensamente satisfeita. Há pouco não víamos tanta repercussão em relação a maus-tratos com animais é bom ver que isso tem mudado e melhor ainda é saber que estamos contribuindo para essa mudança”, destacou.

O grupo ainda está se consolidando e a intenção, segundo Geovana, é que seja transformado em uma associação. “Uma conta será criada para unificarmos as doações, faremos campanhas, usaremos identificação nos resgates. Há uma série de ideias legais que estão sendo concretizadas aos poucos”, explicou.

A estudante disse que os interessados em ajudar com doações podem entrar em contato pelo telefone (37) 3213-1497. Em breve será criado um site onde serão intensificadas campanhas.

A psicologa Jomara Corcozinho avalia a iniciativa dos integrantes do grupo como uma manifestação de amor e consciência. “A proximidade que se cria entre pessoas que nem se conhecem e lutam juntas por algo comum trás um sentimento de que vale lutar pelos nossos ideais”, finalizou. (Fonte: G1)