Campinas/SP foi cidade com mais casos de dengue em 2014, aponta governo

Campinas (SP) fechou 2014 com maior número absoluto de casos de dengue no Brasil, segundo balanço do Ministério da Saúde enviado ao G1 nesta segunda-feira (12). Foram 42.664, com uma incidência de 3.726,6 a cada 100 mil habitantes – nesse quesito, o município é superado por Americana (SP), além de uma cidade no Acre e outra em Goiás.

O levantamento do governo federal leva em conta o período de 29 de dezembro de 2013 até o dia 27 do mês passado. A epidemia de 2014 em Campinas foi a maior na história da cidade e foram registrada dez mortes causadas pela dengue. Em relação a Americana, outro município que passou por situação grave, a incidência foi de 4.025,4 a cada 100 mil habitantes, com 9.039 casos no total.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os critérios para confirmação da doença na Prefeitura são diferentes aos utilizados pelo governo federal, mas, apesar disso, a diferença do balanço anual do município em relação aos números do ministério será pequena. Atualmente, são considerados aproximadamente 41 mil casos, mas o levantamento ainda terá uma última atualização, que depende do resultado de exames a serem entregues pelo Instituto Adolfo Lutz.

De acordo com a Prefeitura, o Ministério da Saúde considera todas as notificações de suspeitas de dengue como caso confirmado, enquanto no município o registro da doença só é atestado após exame de sorologia. Apesar disso, quando a epidemia se agravou na cidade, os testes passaram a ser dispensados por causa do alto número.

Mas, independentemente do critério, Campinas seria a cidade com mais casos no país em número absolutos. A segunda colocada, São Paulo, registrou 33.847. Apesar disso, a incidência a cada 100 mil habitantes é de 286,3 na capital, 13 vezes menor que a do município do interior.

Explicações – “Nunca escondi que não estávamos tão organizados como estamos este ano”, disse o secretário de Saúde de Campinas, Cármino de Souza, em relação ao combate da doença. Segundo o titular da pasta, a mudança do tipo de vírus que circulou na cidade contribuiu para a epidemia e, além disso, ele cita o desligamento dos funcionários contratados em convênio com o Cândido Ferreira, que faziam combate à dengue. O contrato, assinado em administração anterior, teve de ser reincidido após acordo com o Ministério Público.
Apesar do número de casos, Souza afirmou que a mortalidade em Campinas foi três vezes menor que a nacional. “O que mostra que o enfrentamento clínico teve êxito”, afirmou. De acordo com o secretário, o modelo de enfrentamento da doença foi alterado este ano e envolve diversos setores da Prefeitura o que, para ele, surtirá efeito prático. “Teremos um ano mais sereno”, afirmou sobre a perspectiva para 2015.

Procurada pelo G1 no fim da tarde desta segunda-feira, a Prefeitura de Americana não se posicionou sobre os dados de dengue do Ministério da Saúde. (Fonte: G1)