Municípios do Sul do ES decretam emergência por causa de estiagem

Os municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Alegre e Itaperimim, na região Sul do Espírito Santo, decretaram situação de emergência devido a estiagem que atinge o estado. A seca provoca prejuízos para a agricultura, a pecuária, além de reduzir a capacidade de abastecimento à população. Em outras cidades do Espírito Santo, onde também foram registradas perdas no campo, os sindicatos rurais estão sendo orientados Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes) a procurarem os prefeitos e pedirem a adoção da mesma estratégia.

Nesta terça-feira (27), o governador Paulo Hartung (PMDB) se reuniu com os prefeitos de vários municípios para falar das dificuldades causadas pela estiagem. Um balanço sobre a situação de todo o estado foi apresentado.

O presidente da Faes, Júlio Rocha, explicou que os produtores rurais precisam se assegurar e a melhor providência é antecipar o decreto de emergência. A situação permite a renegociação dos financiamentos, que podem não ser pagos em função da perda das lavouras.

Além disso, processos administrativos municipais podem ser agilizados, permitindo às prefeituras ações mais rápidas como, por exemplo, a liberação de carros-pipa para produtores rurais ou a obtenção de recursos federais.

A estiagem já atinge 90% do Espírito Santo. De acordo com Murilo Pedroni, engenheiro agrônomo da Faes, a região onde a situação está mais grave é a Sul. A avaliação é pautada no relato dos sindicatos rurais capixabas, que se reuniram nesta segunda (26). “O Sul está sendo fortemente afetado, até por ser uma região onde há poucos adeptos à irrigação”, afirmou Pedroni.

Além da falta de água para o campo, o engenheiro agrônomo observou que a ausência do recurso acarreta também na redução de energia elétrica. “A energia no campo sempre foi precária, mas cidades como Marilândia já estão ficando sem energia”, relata.

Perdas na agropecuária – Em Itapemirim, segundo o secretário de Agricultura, Luciano Henriques, houve quebra na produção de cana-de-açúcar, leite, abacaxi, café, mandioca e feijão devido à seca. “O município apresenta 50% de perda tanto na pecuária quanto na agricultura”, disse.

Em Cachoeiro de Itapemirim, segundo o prefeito Carlos Casteglione, mais de 600 propriedades sofrem com a seca. Houve perda de lavouras inteiras e córregos secaram. Não é diferente em Alegre. Em Guaçuí, desde o ano passado a prefeitura está notificando quem desperdiça água.

Na Grande Vitória, um exemplo dos estragos da seca está no leito do Rio Jucu. Em Caçaroca, Vila Velha, ele não consegue ultrapassar a barragem feita pela Cesan, que aumentou a altura do dique para criar uma lagoa que permita o abastecimento. “Pela primeira vez, em 30 anos, o curso do rio foi interrompido. Abaixo do dique não há água doce, só salgada, voltando do mar”, relatou o ambientalista Eduardo Pignaton.

Situação dos rios – O nível dos rios que abastecem a Grande Vitória – o Jucu, o Santa Maria da Vitória e o Benevente, está abaixo do esperado para o mês de janeiro. Nos últimos dias, o volume diminuiu e os rios estão com apenas 37% da vazão esperada, de acordo com o diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Robson Monteiro.

Em Guarapari, o rio Benevente vem dando suporte ao abastecimento da cidade, já que os rios que garantem água ao município, Jabuti e Conceição, estão no limite. Segundo Monteiro, ainda há um limite no Benevente que vem sendo utilizado pela Cesan no abastecimento de Guarapari. “Mas sem sombra de dúvidas o Carnaval será com muitas dificuldades no abastecimento de algumas cidades. Não há espaço para desperdícios, como lavar calçadas e carros, principalmente em cidades como Guarapari”, pontuou.

Na Grande Vitória, alguns prefeitos estão antecipando algumas medidas emergenciais de uso racional da água. Em Vitória, o prefeito Luciano Rezende, dentre outras medidas, já prepara um projeto de lei que visa evitar o desperdício de água. Um dos alvos são as vassouras hidráulicas usadas para lavar calçadas e paredes.

As demais prefeituras estão lançando mão de campanhas de conscientização ou estudando legislações que permitam a reutilização de água nas edificações. (Fonte: G1)