Córregos que abastecem cidade de Minas secam e viram ‘trilhas de terra’

A situação de Goiabeira, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, é de emergência por causa da falta de chuva na região. No começo de 2015, os dois córregos que abastecem o município secaram e viraram ‘trilhas de terra’. A cidade está sendo abastecida por dois poços artesianos, porém, a quantidade de água não é suficiente para atender os mais de 3 mil habitantes.

“O jeito é gastar menos, meus vizinhos já ficaram sem água durante dois dias, eu gasto pouco, mesmo assim a situação está complicada” diz João Fernandes, de 73 anos. O comerciante mora na cidade há 71 anos e só viu uma situação parecida em 1958, quando o mesmo córrego secou, por isso ele até implantou um reservatório para situações de emergência.

“Eu consegui montar um reservatório em casa e faço o possível para economizar. Mas as vezes é difícil, porque o calor está demais”, ressaltou.

De acordo com o Diretor do Serviço de Atendimento de Água e Esgoto (SAAE), Ezequiel Antônio da Silva, o município decretou estado de emergência no início desse mês. Ainda segundo ele, os córregos que secaram são o Coqueirão e Ferrujão. Agora os dois poços abastecem a população, mas de forma revezada.
“ Cada dia a gente abastece uma parte da cidade. Mesmo assim, os poços não suportam a demanda, e não dão conta, por isso é preciso racionar o uso. A expectativa é mesmo a chegada das chuvas, só assim para melhorar a situação”, afirma.

Seca em Conselheiro Pena – Em Conselheiro Pena, foi criado um projeto para evitar um problema parecido. Parte do Rio Doce secou por causa da falta de chuva, mas a cidade migrou o abastecimento. Em 2007, começou a ser desenvolvido o projeto de captação de água de uma antiga represa, desativada, no córrego São Pinto, próximo a cidade.

Segundo o gerente do SAAE, Valter Ferreira, o valor da obra foi de mais de R$ 4 milhões e ficou pronta em 2012.

“A maior vitória da população do nosso município é esse abastecimento, porque o Rio Doce está totalmente seco. Se não tivesse esse projeto não teríamos água para abastecer”, diz Valter Ferreira, Gerente do SAAE.

Quem passa no local onde o Rio Doce secou, se impressiona com o cenário de pedras, antes escondidas pelas águas. Douglas Oliveira passou em uma das pontes que fica por cima do rio e registrou uma foto.

“Quando olhei nem acreditei, estavam aparecendo até as pedras do Rio. Tive que tirar uma foto, porque a situação está feia, parece mais uma planície”, diz. (Fonte: G1)