Fevereiro foi mês mais chuvoso no Cantareira desde 1995, diz Sabesp

O mês de fevereiro foi o mais chuvoso no Cantareira em 20 anos, informou a Sabesp nesta segunda-feira (2). Desde o começo do mês passado o nível do sistema não cai, mas a situação permanece crítica. Até agora, suas represas conseguiram recuperar apenas o 2º volume morto. A reserva técnica foi adicionada em outubro e elevou o nível em 10,7 pontos percentuais, ou 105,4 bilhões de litros.

Segundo a companhia, choveu 322,4 mm sobre o Cantareira. A última vez que houve tanta precipitação foi em fevereiro de 1995, quando choveu 388 mm. Nesta segunda, as represas do Cantareira operavam a 11,7%, 0,1 ponto percentual a mais que o registrado no domingo (1º).

É a primeira vez que as precipitações atingem a média histórica desde o começo do período chuvoso. Em outubro, quando as precipitações começam a ser maiores, o sistema recebeu apenas 32,5% do volume previsto; em novembro, 83,74% do esperado; em dezembro, 74,92% e em janeiro, 54,66%. Durante a crise, que começou em janeiro do ano passado, o único mês que havia batido a meta tinha sido março de 2014, quando a precipitação superou a expectativa em 5%.

O Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo, fechou fevereiro com nível de 11,4%, o melhor mês do sistema desde o começo da crise, em janeiro de 2014. As chuvas ficaram 61,9% acima da média histórica, e o volume subiu 5,1 pontos percentuais, uma vez que estava em 5% no começo do mês. Em março, que fecha a estação chuvosa, são esperados 178 milímetros de precipitação.

A elevação, porém, deu-se graças a uma operação de contingência, com menor retirada de água do sistema e redução da pressão na rede em São Paulo. Na prática, a medida tem deixado parte da população sem água em determinados períodos.

Segundo a Sabesp, em fevereiro deste ano o sistema Cantareira registrou vazão média de 40,67 m³/s. A média para o mês é de 72,90 m³/s. Os seis sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo tiveram vazão média de 118,9 m³/s no mês passado. A média histórica para o mês, nos seis sistemas, é de 137,31 m³/s.

Apesar do desempenho de fevereiro, a situação do sistema ainda é crítica, já que o período de chuvas termina em março. O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, afirmou acreditar que não será necessária a implantação de um rodízio de água na Grande São Paulo, mas a alternativa ainda não foi descartada.

“Minha percepção é que não será necessário fazer rodízio. Porque eu fiz contas de quanta água temos em estoque, de quais os cenários de quanta água pode chegar e de quanta água está saindo”, afirmou, ressaltando não ser possível garantir que não haverá racionamento.

Segundo ele, as chuvas de fevereiro mudaram os prognósticos. O sistema Cantareira começou o mês com 5% da capacidade. As represas só terão recuperado a primeira cota do volume morto quando alcançarem 29,2% da capacidade.

Multa – A Sabesp começou a entregar neste mês contas de água com multa para quem excedeu a média do consumo. A sobretaxa na conta foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) e a multa varia entre 40% e 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014.

A multa foi de 40% para quem consumiu até 20% a mais do que a média do período anterior e a taxa foi de 100% para quem utilizou mais que 20%. A medida é válida somente na parte do gasto de água encanada, que representa metade do valor da conta. Os outros 50% são referentes ao serviço de coleta de esgoto. (Fonte: G1)