Ararinhas-azuis nascidas na Alemanha chegam ao Brasil

Uma equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recebeu nesta terça-feira dois exemplares de ararinhas-azuis vindos da Alemanha, ave considerada extinta desde 2000 e fonte de inspiração para o filme de animação “Rio”.

O casal, nascido e criado em cativeiro, foi recebido no Aeroporto Internacional de São Paulo como parte de um projeto de cooperação internacional que procura reintroduzir a espécie em seu habitat natural, a Caatinga, a partir de 2017. A mudança das aves foi feita em comemoração pelo Dia Mundial da Vida Selvagem, adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“As aves chegaram bem, apesar do estresse”, provocado pela viagem de 14 horas entre Berlim e São Paulo, afirmou Camile Lugarini, analista ambiental do Cemave e uma das coordenadoras do projeto, em comunicado divulgado pelo ICMBio, vinculado ao Cemave.

As aves foram enviadas a uma estação de quarentena do Ministério da Agricultura na cidade de Cananeia, onde terão que permanecer pelo menos 15 dias.

“São animais saudáveis que nunca sofreram problemas. No período da quarentena serão mantidos em isolamento, sob vigilância e submetidos a exames. Caso seja identificada alguma doença, as aves serão tratadas imediatamente”, afirmou Camille.

Após esse período, as araras irmãs, já batizadas de Carla e Tiago e que têm 11 meses, serão enviadas a um criadouro científico também no estado de São Paulo, onde se juntarão aos únicos 11 exemplares da mesma espécie existentes no Brasil.

No criadouro serão submetidos a avaliações genéticas para identificar os melhores casais para possíveis cruzamentos, pois “uma das grandes dificuldades para a reprodução em cativeiro desta espécie é sua pouca variabilidade genética”.

O ICMBio se propõe a reproduzir os animais em cativeiro e libertá-los na natureza quando houver 200 exemplares. A espécie é considerada extinta desde 2000, embora atualmente 90 exemplares sobrevivam em cativeiro, mantidos por instituições de diferentes países. Dos sobreviventes, a maioria está no exterior e apenas cinco dos que estão no Brasil têm condições reprodutivas.

Um projeto conjunto de instituições estrangeiras conseguiu em meados de 2013 o nascimento do primeiro filhote de uma inseminação artificial bem-sucedida de uma fêmea da espécie.

A história de uma ararinha-azul domesticada descoberta nos Estados Unidos em 2002 e o plano para trazê-la de volta ao Brasil inspirou o filme “Rio”. (Fonte: Terra)