Imagens da sonda Rosetta sugerem presença de gelo no cometa 67P

Imagens captadas pelos filtros de cor do instrumento Osiris, instalado na sonda Rosetta, sugerem a presença de gelo no “pescoço” do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, na região denominada Hapi, de acordo com informações do Instituto Max Planck, da Alemanha.

As informações analisadas pelos cientistas refletem a luz vermelha – habitual no núcleo dos próprios cometas e outros corpos primitivos, como asteroides -, de forma menos efetiva que na maioria das demais regiões, com uma aparência azulada.

Nos últimos meses, a região Hapi se mostrou especialmente ativa em relação às demais: muitas fontes de pó e gás que o cometa lança ao espaço tem sua origem ali.

Nesse sentido, ao estudar as características reflexivas da superfície do 67P, os cientistas confirmaram que a coloração azul poderia indicar a presença de água congelada, misturada com o pó da superfície. “Embora as variações de cor na superfície do 67P sejam pequenas, podem nos dar indícios importantes”, assinala o chefe da equipe Osiris, Holger Sierks.

Em busca de gelo – A sonda Rosetta é equipada com instrumentos adicionais para identificar de forma direta a presença de gelo na superfície.

Os filtros de cor da Osiris só podem representar uma gama limitada de longitudes de onda. O espectrômetro Virtis, por exemplo, pode determinar marcas espectrais de moléculas de água.

“Temos muita curiosidade em ver se nossos indícios se confirmam a partir dessas medições”, garante Sierks.

As imagens foram tomadas no dia 21 de agosto de 2014, quando a sonda Rosetta se encontrava a aproximadamente 70 quilômetros do cometa.

“Quando o 67P alcançar em agosto deste ano sua distância mais curta em relação ao sol, ele deverá aquecerá muito, com exceção da região Hapi, que nesse momento permanecerá na escuridão e experimentará uma espécie de noite polar”, explica Fornasier. “O ‘pescoço’ do cometa só receberá de novo luz solar a partir de março de 2016”, acrescenta.

Qual o objetivo? – Compostos químicos, gases e muita poeira presentes no cometa podem conter respostas sobre a formação dos planetas do Sistema Solar. Além disso, apontariam aos cientistas uma direção para descobrir como a vida surgiu, no estágio em que a conhecemos.

Uma das teorias sobre o início da vida na Terra sugere que os primeiros ingredientes da chamada “sopa orgânica” vieram de um cometa, considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar. (Fonte: G1)