Pesquisadores da USP de São Carlos desenvolvem telescópios gigantes

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos (SP) estão envolvidos em um projeto que pretende desenvolver, por meio de 100 telescópios gigantes, a próxima geração de observatórios de radiação gama.

“A radiação gama é a luz de mais alta energia que a gente recebe na Terra, e a gente não entende ainda como essa radiação é produzida e nem como ela chega aqui”, explicou o professor Luiz Vitor de Souza Filho, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP).

Cada telescópio pesa nove toneladas e tem o tamanho de um prédio de cinco andares. Ao todo, serão investidos cerca de R$ 700 milhões na proposta, que envolve 27 países, 1,3 mil pesquisadores e pode ter grande repercussão no futuro.

“Quando os cientistas investigaram como a eletricidade funciona, eles não tinham como objetivo desenvolver todos os equipamentos eletrônicos que a gente usa hoje no nosso dia a dia, porém, se eles não tivessem descoberto os fenômenos fundamentais da natureza que regem o funcionamento da parte elétrica do universo, a gente jamais seria capaz de ter construído, depois de 100 anos, esses instrumentos sem os quais a gente não consegue viver hoje”, afirmou o especialista.

A estrutra dos telescópios foi desenvolvida em uma parceria da universidade com a indústria depois que o Brasil venceu uma disputa com a França. No país, além dos pesquisadores da USP, 20 especialistas de diferentes instituições trabalham para concretizar o projeto.

“Em dezembro do ano passado, essa estrutura foi aprovada e agora a gente passa a ser responsável por oferecê-la para todos os outros telescópios que vão ser construídos”, afirmou Filho.

A expectativa é de que em até três anos alguns dos telescópios estejam funcionando e de que os 100 estejam em operação em cinco anos.

“Assim que o CTA tiver mais do que seis telescópios ele passa a ser o principal observatório em funcionamento. A partir do sexto, novidades podem ser esperadas”, adiantou o professor. (Fonte: G1)