Ibama remove ninhos de tartaruga em praias do ES antes da lama

Desde o início desta semana, equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) atuam para reduzir os impactos da chegada da lama em Regência, no Espírito Santo.

Os dois institutos já removeram 33 ninhos de tartarugas marinhas para áreas que não deverão ser atingidas diretamente pela onda de rejeitos de mineração.

Além disso, barreiras de contenção foram colocadas nessa quarta-feira (18) para evitar ou atenuar o possível avanço da lama para áreas de desova. As ações no cordão arenoso da barra do rio Doce seguem para manter permanentemente abertos os canais escavados que conduzirão a lama diretamente para a praia.

De acordo com os institutos, a preocupação está concentrado nos peixes. O avanço da lama provavelmente está provocando a fuga dos peixes de superfície. Mas os peixes de fundo – como cascudos e bagres – não acompanham este movimento.

Por isso, o Ibama e o ICMBio definiram que será feita a captura de matrizes e a proteção dos tributários (rios de menor porte que desaguam em outros maiores), para constituir uma poupança genética desta biodiversidade de peixes e iniciar de um processo de reprodução em cativeiro para viabilizar o repovoamento de trechos do rio.

Técnicos iniciaram a busca e o mapeamento dos rios que estão servindo de refúgio aos peixes de superfície em toda a extensão do rio Doce, entre a cidade de Mariana (MG) e a foz em Regência. A previsão para conclusão deste trabalho é 11 de dezembro e incluirá as recomendações de exclusão de pesca na região.

Alerta sobre resgate de peixes – Em razão de notícias sobre iniciativas de resgate e transporte de peixes do Rio Doce para lagoas marginais no Espírito Santo, o Ibama e a Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI) alertam que é preciso cuidado para que o problema não seja aprofundado por ações precipitadas, ainda que bem intencionadas.

Os peixes de rio e os peixes das lagoas têm comportamentos e necessidades ambientais diversas, assim como são diferentes as características de cada um desses ambientes. A transferência indiscriminada de peixes do rio para as lagoas pode gerar os seguintes problemas potenciais:

– Altíssimos índices de mortalidade dos peixes trazidos do Rio Doce, pelas dificuldades técnicas no transporte ou pela não adaptação aos ambientes das lagoas marginais;
– Predação maciça de peixes jovens em desenvolvimento em lagoas que tenham papel de berçário;
– Transferência indiscriminada de espécies exóticas invasoras presentes no Rio Doce, como o bagre africano e o Tucunaré;
– Concorrência intensa com os peixes residentes das lagoas, por comida e refúgios;
– Alterações químicas decorrentes de possíveis contaminantes que podem já ter chegado aos pontos mais baixos do Rio Doce;
– Mortandade em massa pelo esgotamento de oxigênio na água em razão da superlotação das lagoas.

As espécies resgatadas são alojadas em tanques de aquicultura e outras estruturas capazes de conter os animais para futura reintrodução. Foi uma iniciativa realizada com a urgência requerida pela situação e o apoio voluntário de pesquisadores e especialistas. (Fonte: G1)