Cúpula do clima da ONU começa no domingo, um dia antes do previsto

Os trabalhos da conferência do clima começarão neste domingo (25) em Paris, um dia antes do previsto, para aproveitar ao máximo o tempo disponível para negociar um acordo global, anunciou nesta quarta-feira a ONU.

Os delegados irão se encontrar no domingo às 14h (de Brasília) no parque de exposições de Le Bourget no norte da capital, um dia antes da inauguração oficial do evento, na presença de cerca de 150 chefes de estado ou governo.

Barack Obama (Estados Unidos), Xi Jinping (China), Angela Merkel (Alemanha) e Enrique Peña Nieto (México), além de Dilma Rouseff, estão entre os líderes esperados em Paris na segunda-feira.

Após o encontro de segunda-feira, os dirigentes passarão o bastão para seus respectivos negociadores e uma semana depois aos ministros do Meio Ambiente ou de Energia, que terão até 11 de dezembro pata alcançar o acordo mundial.

“O início adiantado da sessão permitirá utilizar o melhor possível o tempo disponível para finalizar as negociações”, afirmou a ONU em comunicado.

O anúncio de adiantar os trabalhos da conferência coincidiu com a publicação pela ONU de um informe segundo o qual o ano de 2015 está quebrando todos os recordes de calor.

“2015 será provavelmente o ano mais quente de que se tem notícia, com temperaturas na superfície do oceano nos níveis mais elevados desde que as medições começaram”, apontou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), com base em registros dos dez primeiros meses.

Metade do caminho para o desastre”A temperatura média na superfície do globo superará sem dúvida a barreira (…) de um grau centígrado em comparação com a era pré-industrial”, acrescentou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

O objetivo da conferência de Paris é um acordo para limitar o aquecimento global a 2°C, para além do qual os cientistas acreditam que os eventos extremos, como a secas, elevação do nível dos oceanos ou deslocamento maciço de populações levariam o mundo a uma catástrofe.

A aceleração do aquecimento se deve a “uma combinação de um episódio [meteorológico] intenso do El Niño com o aquecimento da Terra causado pela atividade humana”, explica a OMM.

O encontro será realizado em uma cidade em estado de emergência após os atentados de 13 de novembro, que deixaram 130 mortos e 350 feridos em Paris.

De acordo com o presidente francês e anfitrião da conferência, François Hollande, a realização do evento é “a melhor resposta” aos “ataques terroristas”.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, anunciou que 8.000 policiais e gendarmes foram mobilizados nas fronteiras do país e outros 2800 serão enviados para o parque de conferências.

“No contexto de ameaça muito elevada, o sucesso da COP 21 passa também por uma segurança perfeita” da reunião internacional, disse o ministro.

Uma grande manifestação pelo clima prevista inicialmente para 29 de novembro foi proibida pelo governo após os atentados, assim como outra marcada para 12 de dezembro, dia seguinte ao encerramento da COP 21. (Fonte: G1)