Ciência diz que cogumelos têm o poder de fazer chover

Um cogumelo típico projeta dezenas de milhares de esporos na atmosfera a cada segundo, e até uma década atrás ninguém sabia como.

Nos anos 1990 o professor de botânica Nicholas Money, da Universidade de Miami, decidiu estudar “um dos maiores mistérios sem solução da biologia fúngica”, identificado um século antes pelo micologista A.H.R. Buller, descrito por Money como o “Einstein da Micologia”.

Buller encontrou evidências de que a resposta tinha algo a ver com uma gota de líquido que se formava sobre o esporo segundos antes de ele se projetar na atmosfera.

Money e seus colaboradores desenvolveram essa teoria, usando câmeras de alta velocidade para provar que a formação e o movimento dessa gota de líquido, conhecida como gota de Buller, de fato projeto os esporos no espaço.

Eles divulgaram suas descobertas em 2005.

Um novo estudo comandado por Money e publicado na PLOS ONE na semana passada leva essas descobertas mais longe, com a sugestão de que os cogumelos podem ajudar a promover a chuva.

A pesquisa revela que em ambientes úmidos, gotas podem formar-se sobre a superfície dos esporos mesmo depois de eles terem sido lançados no ar.

Embora Money desconfiasse que esse fosse o caso, a maioria dos micologistas, supunha que o mecanismo que cria a gota deixasse de ser ativo depois de o esporo ser liberado.

No entanto, segundo o estudo, à medida que os esporos se espalham pela atmosfera, essas gotículas podem crescer até formarem gotas de chuva.

“É mais ou menos contraintuitivo, se pensarmos em outros tipos de mecanismos”, falou Money. “Se alguma coisa é disparada de um canhão, não pode ser disparada de novo. Mas neste caso os esporos podem, sim, formar água sobre sua superfície por tempo indeterminado.”

As pessoas muitas vezes atribuem propriedades místicas aos cogumelos, mas nem mesmo o cogumelo de Alice no País das Maravilhas era capaz de fazer chover.

A descoberta dos cientistas sugere que os cogumelos podem ter desenvolvido uma capacidade espantosa de cuidar deles próprios, de fato criando a água de que precisam para crescer.

Mas, como Money e seus colaboradores observam no artigo, a relação entre os cogumelos e a chuva também pode desencadear um ciclo de seca: à medida que o aquecimento global provoca estiagens, nas épocas de menos chuva, menos cogumelos vão crescer, e com menos esporos na atmosfera é possível que chova ainda menos.

“Acho que estamos enriquecendo nossa visão de como os humanos dependemos dos fungos”, falou Money.

Inevitavelmente, talvez, as pessoas perguntam aos cientistas sobre a aplicação prática das conclusões de seu estudo. Seria possível de alguma maneira aproveitar o poder dos cogumelos para salvar cultivos agrícolas e florestas?

Money acha a ideia intrigante, mas é cético.

“Acho que o mais importante que se pode tirar de um estudo como este é aumentar nosso entendimento da delicadeza das relações entre diversidade biológica e como o planeta trabalha de maneira que apoia a condição humana”, ele disse.

“Quando derrubamos florestas ou fazemos outras coisas que podem prejudicar as populações de fungos, isso não afeta apenas os fungos –em última análise, afeta o Homo sapiens também”.

Arturo Casadevall, microbiólogo da Universidade Johns Hopkins especializado em fungos, não participou do estudo. Ele concorda com Money.

“Os esporos fúngicos são extremamente prevalentes”, ele disse. “São designados pela natureza para espalhar-se por via aérea”.

O reino dos fungos é um reino ignorado, mas este estudo levanta a possibilidade de os fungos serem muito mais importantes do que imaginávamos. (Fonte: Exame.com)

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