Nova espécie de perereca que vive em bromélia é descoberta no ES

Uma nova espécie de perereca de pouco mais de 1,5 cm foi descoberta nos arredores da Reserva Biológica Augusto Ruschi, em Santa Teresa, na região Serrana do Espírito Santo. A espécie é a única de seu gênero a se reproduzir em bromélias. Após três anos de pesquisa, as informações científicas serão publicadas em uma revista norte-americana na quarta-feira (9).

Segundo o doutor em Ecologia Rodrigo Barbosa Ferreira, que coordenou o grupo que descobriu a nova espécie, o nome popular do animal é Perereca-de-bromélia-teresensis, uma homenagem aos habitantes da região que preservam um dos maiores blocos de remanescentes florestais da Mata Atlântica. Ela pertence ao gênero de anfíbios Anuros dendropsophus.

“É uma perereca que só vive em bromélia e tem o seu ciclo reprodutivo associado a essa planta. É uma espécie muito carismática e tem um padrão de coloração bem distinto. Ela pode ser considerada um símbolo para conservação, tanto de bromélias como dos ambientes onde vivem”, disse o pesquisador.

A espécie foi encontrada na estação chuvosa de 2012, durante trabalhos de campo do doutorado em Ecologia do pesquisador Rodrigo Barbosa Ferreira, pela Utah State University, nos Estados Unidos.

“No final de 2012, indivíduos dessa espécie, até então desconhecidos, foram encontrados por biólogos do projeto ‘Bromeligenous’, vivendo em bromélias de afloramentos rochosos. Após três anos de trabalho de descrição morfológica, de análise de DNA, de análise ecológica, pesquisando e avaliando tudo isso, o resultado será publicado por uma aclamada revista norte-americana”, contou.

O biólogo explica que essa espécie foi encontrada apenas em matas ao redor da Reserva Biológica Augusto Ruschi, o que pode representar um alerta para a preservação.

“Elas vivem na zona de amortecimento da reserva. Sabemos que há coleta ilegal de bromélias em propriedades particulares, e isso poderia representar uma ameaça à persistência da espécie a longo prazo, caso as bromélias alvo dessas atividades ilegais sejam as mesmas utilizadas pela espécie de perereca”, disse.

De acordo com o pesquisador, entre as 97 espécies do gênero Dendropsophus, apenas essa espécie utiliza a água acumulada em bromélias para reprodução.

“Fêmeas dessa espécie nova colocam os ovos nessas águas, onde os girinos eclodem e permanecem até a metamorfose à fase adulta. O gênero Dendropsophus tem espécies que ocorrem do México a Argentina”, explicou.

O ”Projeto Bromeligenous”, coordenado por Rodrigo Barbosa Ferreira, tem como objetivo pesquisar sobre anfíbios de bromélia e promover a conservação ambiental a longo prazo.

O artigo científico que será publicado na revista norte-americana teve como autores os pesquisadores brasileiros Rodrigo Ferreira e José Pombal Jr.; um argentino, Julian Faivovich; e uma norte-americana, Karen Beard. (Fonte: G1)

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