Cantareira vive ano mais chuvoso desde 2009, mas usa o volume morto

Após enfrentar uma forte seca em 2014, o Sistema Cantareira vive em 2015 seu ano mais chuvoso desde 2009. As represas que abastecem 5,3 milhões de pessoas na Grande São Paulo já receberam 1.469,5 mm, 6,3% mais do o mesmo período de 2010 (que também foi outro ano bastante chuvoso). Naquele ano, choveu 1.381 mm até o dia 7 de dezembro.

O sistema, porém, ainda opera no volume morto, e o governo de São Paulo pede que a população continue economizando água.

Do começo do ano até esta segunda (7), choveu 83% a mais do que o verificado no ano passado – quando a chuva era de apenas 802,7 mm nessa época do ano.

O ano já bastante chuvoso de 2015 no Sistema Cantareira recebeu um novo impulso no fim de semana. Entre o domingo (6) e esta segunda-feira (7), a chuva registrada no sistema foi a maior do ano, com 47,8 mm. Segundo a Sabesp, trata-se do volume mais alto desde 24 de dezembro de 2014, quando foram registrados 52,4 mm.

O ano de 2015, até o momento, já supera os últimos quatro anos inteiros em termos de chuva – ou seja, até 31 de dezembro.

Apesar das chuvas recentes, a Sabesp afirmou que mantém para abril a previsão para que o Cantareira saia do volume morto. “Com base na série histórica de afluências ao Cantareira, a probabilidade de que o estoque de água esteja acima da reserva técnica é de 97,6% ao início do próximo período seco (final de abril)”, informou em nota. A chance de o sistema sair da reserva técnica em fevereiro, por sua vez, é de 85%, afirmou.

A companhia não informou se pretende aumentar a retirada de água do sistema. Disse apenas que cumpre a outorga definida pelos órgãos reguladores: a Agência Nacional de Águas e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

Consumo – Pelo segundo mês seguido em novembro, os clientes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na Grande São Paulo e Região de Bragança Paulista tiveram o segundo maior aumento no consumo de água do ano. Segundo balanço divulgado pela empresa nesta quinta-feira (3), 21% consumiram mais do que a média, antes do início da crise hídrica. O mesmo ocorreu em outubro.

Desse total, 13% dos clientes tiveram que pagar multa. O índice é o mais alto desde o começo da cobrança de sobretaxa, em fevereiro. O restante dos clientes não foi multado porque consome o volume mínimo de 10 mil litros por mês, explicou a Sabesp.

Em fevereiro, 8% dos clientes receberam a conta com sobretaxa. Entre março e julho, o índice variou entre 10% e 11%, subiu para 12% em agosto e setembro, e aumentou novamente em outubro, quando chegou a 13%. O índice se manteve em novembro.

Por outro lado, 79% dos clientes reduziram o consumo, mas 67% tiveram efetivamente desconto na conta porque conseguiram economizar mais de 10% do que consumiam, em média, no período de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, antes da crise.

No comunicado, a Sabesp faz um alerta sobre a importância da população continuar economizando água, mesmo com o período de chuva. A preocupação da companhia é tentar recuperar, de maneira gradual, o nível dos reservatórios após a estiagem de 2014 que, segundo a empresa, foi a maior registrada em mais de 80 anos na Região Sudeste.

O Sistema Cantareira, que já foi o maior reservatório de São Paulo e o mais afetado pela crise, recebeu 197,6 milímetros de chuva neste mês, 23,1% acima da média histórica para novembro, que é de de 160,4 mm. O volume fica atrás apenas do verificado em 2009, quando a precipitação total no conjunto de represas, considerando os 30 dias do mês, foi de 237,6 mm.

Os seis sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo estão em situação mais favorável do que estavam em 2014, segundo a Sabesp. Se comparado 2015 (até novembro) com o mesmo período do ano passado, os mananciais tiveram acréscimo de 305,04 bilhões de litros de água, um aumento de 54,44%. A quantia corresponde a um terço do volume útil do Cantareira, que é de 982,07 bilhões de litros.

A companhia de abastecimento acredita que o Cantareira saia do volume morto até o fim de abril de 2016, quando começa o período de seca no estado de São Paulo. A probabilidade de isso ocorrer é de 97,6%. A estimativa leva em consideração dados históricos dos últimos 85 anos.

Desconto na conta – Considerando todos os clientes que receberam bônus no mês passado, 56% reduziram o consumo em mais de 20% (faixa de bonificação de 30%), 5% diminuíram o uso entre 15% e 20% (faixa de bônus de 20%) e outros 6% tiveram um gasto de água entre 10% e 15% menor e ganharam bônus de 10%.

Cálculos da Sabesp apontam que a economia de água feita pelos moradores fez com que a companhia deixasse de retirar no mês passado 16 bilhões de litros das represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo e a área de Bragança Paulista. O volume economizado é suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de pessoas, e equivale à capacidade total do Sistema Alto Cotia (16,5 bilhões de litros).

O programa de bônus foi implantado em 1º de fevereiro de 2014 para moradores atendidos pelo Cantareira. Nos meses seguintes, foi ampliado para municípios abastecidos pela Sabesp na Grande São Paulo. Já a multa é de 40% sobre o valor da tarifa de água para quem exceder até 20% a média do consumo ou 100% sobre o valor da tarifa de água para quem ultrapassar 20% da média.

Plano de contingência – Com quase cinco meses de atraso, o governo de São Paulo apresentou no dia 19 de novembro o plano de contingência contra a crise hídrica. O documento obtido com exclusividade pelo G1 no início do mês foi apresentado a representantes de prefeituras da região metropolitana de São Paulo, e orienta como o poder público, companhias e sociedade civil devem agir no caso de seca ou de desabastecimento de água para a população.

O plano também prevê a implantação de rodízio – cortes sistemáticos na distribuição – em situações de emergência. O governo paulista havia prometido apresentar o plano de contingência às Prefeituras da Grande São Paulo em junho, mas só foi apresentado ao Comitê de Crise Hídrica integrado por 39 municípios.

O secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, comparou o plano de contingência com um seguro: “estamos fazendo para não usar”, afirmou. Braga afirmou que o plano atrasou porque foi um trabalho integrado entre o estado paulista, municípios, sociedade civil e universidades. “Obviamente em uma região tão complexa como a região metropolitana de São Paulo, o levantamento de dados é muito demorado, não é muito simples”, disse.

Três níveis de ações – O documento considera ações em três níveis. Atualmente, segundo o governo estadual, a Grande São Paulo está no nível 2 – Alerta porque os reservatórios ainda estão com níveis baixos. O secretário de Recursos Hídricos garante, no entanto, que todas as medidas necessárias para essa situação já foram tomadas.

“O Cantareira ainda está no volume morto. O Alto Tietê está com 15% da capacidade. Entretanto, nós estamos no processo de redução de pressão a noite, e assim por diante. Essa é uma característica de redução na demanda quando a perspectiva de oferta ainda é baixa. Porém não está ainda em uma situação tão complicada que você não consiga o nível dos reservatórios estáveis”, completou.

Níveis e ações
NÍVEL 1 – ATENÇÃO: deverá ser adotado quando houver sinais de estiagem prolongada, quando então passa a existir uma situação de risco elevado de não ser atendida a demanda de água.

NÍVEL 2 – ALERTA: será adotado quando a situação dos sistemas de abastecimento chegar a níveis críticos, podendo comprometer a curto prazo o atendimento à demanda de abastecimento de água. O risco de não atendimento é elevado.

“Isso quer dizer que, mesmo se você estiver fazendo tudo isso e o nível dos reservatórios continuar caindo, aí seria necessário acionar o nível de emergência. Porque seria necessário não só reduzir a pressão mas cortar água mesmo, para que a gente não ficasse dependendo só da água do rio”, explicou o secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga.

NÍVEL 3 – EMERGÊNCIA: será adotado quando for eminente o não atendimento da demanda, uma vez que um ou mais sistemas de abastecimento estejam sob elevado risco de esvaziamento crítico, comprometendo o abastecimento de parte da população com grau de severidade significativo.

Neste nível (emergência) serão feitos cortes sistemáticos no abastecimento de água de modo a evitar o colapso total de um ou mais sistemas produtores de água potável. Em caso de emergência, quando a possibilidade do rodizio existe, o plano prevê ações como a restrição de água potável para atividades industriais de grande impacto e atividades de irrigação.

Caberá à Sabesp, à Secretaria de Recursos Hídricos e às prefeituras a operação de abastecimento em pontos prioritários e a requisição, se necessário, de poços outorgados para a distribuição de água à população em pontos de apoio. (Fonte: G1)

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