Pesquisa da USP usa a matemática para prever propagação de doenças

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está usando cálculos matemáticos para avaliar como é feita a propagação de uma informação ou a disseminação de uma epidemia e, com isso, prever e controlá-las. Uma espécie de rede social criada pelo professor Francisco Rodrigues mostra, por exemplo, quais pessoas são muito populares e têm mais chances de espalhar uma doença ou transformar um vídeo na internet em um viral.

O projeto, intitulado ‘modelagem de processos dinâmicos em redes complexas’, é coordenado pelo professor e cinco alunos estão envolvidos na pesquisa, que começou em 2013.

Pessoas-chave – No século 18, a varíola se alastrou pela Europa e 300 milhões de pessoas morreram. No século 20, foi a gripe espanhola que matou 50 milhões durante a 1ª Guerra Mundial. Os vírus se espalharam muito facilmente, assim como os virais de internet, como um vídeo caseiro que, de repente, fica famoso no mundo.

Tanto as doenças como esses conteúdos se espalham muito rápido, podendo chegar a um número muito grande de pessoas. Os cientistas se debruçaram sobre a questão e descobriram que existem algumas algumas ‘pessoas-chave’, que estão no centro dessas redes de convivência. Essas pessoas dão o ponta pé inicial pra espalhar algo.

Vírus e informações – Com isso, o professor Rodrigues foi em busca dessas pessoas e iniciou uma pesquisa para mapear quem são aquelas que têm mais contatos, conversam com muita gente, enfim, são muito populares no mundo real. A rede social do pesquisador mostra que elas têm mais chances de passar um vírus, por exemplo.

Identificando essas pessoas, basta vaciná-las para evitar uma epidemia. “Assim você evita uma pandemia como o que aconteceu com a H1N1. A ideia é você vacinar o mínimo de pessoas, porque além de ser cara ela pode ter um efeito colateral”, disse.
A pesquisa também mostra como as informações se espalham na internet. A Maria tem uma informação, o João compartilha, o vizinho curte e também publica. Assim o conteúdo vai rodar o planeta.

Muitas empresas estão interessadas no estudo porque descobrir quem influência o público é muito para um artista ficar conhecido, por exemplo. Foi assim com o coreano Psy, que depois de ter o clipe da música Gangnam Style curtido por artistas famosos, teve mais de 2 bilhões visualizações no Youtube.

As doenças podem ser tratadas com remédios, mas a informação é difícil controlar. “Hoje as pessoas têm que pensar muito bem no que compartilham. Depois que você soltou a informação na web não tem como parar”, disse o pesquisador.

Por isso é bom pesquisar antes de compartilhar alguma coisa. Há quem prefira fugir de polêmicas pra não espalhar o vírus da fofoca. “Se for algo muito crítico eu nem compartilho, porque é melhor não compartilhar do que compartilhar algo que não é verdade”, disse a atendente Bruna Barbosa. (Fonte: G1)

Esta entrada foi escrita emClipping e tags
Ambientebrasil - Notícias located at 511/67 Huynh Van Banh , Ho Chi Minh, VN . Reviewed by 43 customers rated: 4 / 5