Para salvar primata no AM, grupo pede criação de corredor ecológico

Uma pintura de 100 metros de extensão, em uma das principais avenidas da Zona Centro-Sul de Manaus, alerta para a preservação de um dos símbolos da cidade: o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor). O mural pintado no sábado (5) faz parte de uma campanha para a criação de um corredor ecológico entre fragmentos florestais na zona urbana. A medida quer ajudar a salvar o primata ameaçado de extinção. A espécie é encontrada apenas em três municípios do Amazonas.

De acordo com a secretária executiva do Movimento Ficha Verde, Carolle Larcon, 28 anos, um projeto para criação do corredor ecológico foi criado em parceria com o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Saguinus bicolor (PAN Sauim-de-Coleira), e é avaliado pela Prefeitura de Manaus.

“A gente construiu uma proposta técnica que foi apresentada para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), que criou uma comissão para discutir o assunto. Na próxima semana a gente tem uma reunião com o Ministério Público Federal no Amazonas para apresentar a proposta. Estamos com um site, nele tem uma ferramenta que direciona para o ‘Fale com Prefeito’, do site da prefeitura. A gente está convidando o pessoal a entrar e mandar esse e-mail ao prefeito, para pressionar para que realmente crie o corredor ecológico”, disse Carolle ao G1.

A secretária explica que para que o projeto saia do papel serão necessárias ações do poder público e da população.

“O traçado do corredor ecológico é, resumidamente, saindo do parque do Mindu, passando pelo parque Sumauma e conectando com a Reserva Ducke. Com essa ligação entre essas áreas verdes essa população [de primatas] consegue se conectar com outros grupos e se tornar uma população viável, agora estão isolados em pequenas ilhas de floresta dentro da cidade”, afirma.

Caso seja implantado, o corredor vai exigir intervenções como: zoneamento de áreas verdes para evitar as invasões de terra; plantio em áreas verdes, calçadas e quintais; construção de passarelas de fauna – que diminuem o risco de atropelamentos de trânsito; transformação de algumas áreas verdes em áreas protegidas. “Falar sobre o sauim é falar sobre as áreas de floresta da cidade, é discutir qual a Manaus que a gente quer viver”, completa.

Riscos – Segundo pesquisadores, o contato dos sauins com a fiação elétrica, ruas e animais domésticos – como cães – ocorre com a diminuição das áreas verdes na cidade. Manaus possui várias Áreas de Proteção Ambiental (APAs), mas alguns fragmentos de floresta passaram a ficar isolados com o passar dos anos.

“Além de um predador natural, o Sauim-de-mão-dourada – que compete por território –, invasões de terras irregulares, abertura de novas vias para trânsito de veículos e a construção de novas unidades habitacionais e condomínios legalizados impactam diretamente na redução de fragmentos florestais nas zonas urbana e rural de Manaus. Algumas áreas de florestas acabam ilhadas, rodeadas por casas e ruas, sem conexão com outras áreas verdes”, explica o pesquisador e diretor do projeto Sauim-de-Coleira da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Gordo. (Fonte: G1)

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