Os cães que protegem pinguins do aniquilamento em ilha na Austrália

Quando as raposas descobriram uma colônia de pinguinzinhos em uma pequena ilha na Austrália, elas quase aniquilaram as aves.

Mas um fazendeiro local teve uma ideia para proteger as aves – uma ideia tão bem sucedida que a história acabou sendo transformada em um filme.

Para entender o enredo, pense em algo como Lassie encontra Babe (de Babe, o Porquinho Atrapalhado) e Pingu (do desenho animado com o mesmo nome). Como não amar?

O caso aconteceu na bela Middle Island, na costa sudoeste australiana, que abriga uma colônia dos chamados pinguins-azuis, a menor espécie de pinguins, medindo entre 30 e 40 centímetros.

Havia centenas deles em Middle Island. Mas isso mudou quando as raposas os descobriram.

“Fomos de um ponto onde havia 800 pinguins para um cenário em que conseguimos encontrar apenas quatro”, conta Peter Abbott, do projeto Penguin Preservation.

“Na maior matança, encontramos 360 pinguins mortos em apenas duas noites. As raposas são caçadoras matadoras. Elas matam o que encontram pela frente.”

O episódio citado por Peter ocorreu em 2005, mas o problema já vinha ocorrendo havia anos. Middle Island – que não é habitada por humanos – é separada do território por apenas um curso d’água de 30 metros.

Em maré baixa, e quando a areia cria um canal estreito, as raposas atravessam do continente facilmente, apenas molhando um pouco suas patas.

O problema se tornou patente nos anos 2000, quando a corrente marítima provocou um acúmulo da areia no curso d’água.

Com o passar do tempo, as raposas perceberam que ali havia uma fonte fácil de comida. E assim os pinguins quase foram eliminados da ilha.

Mudança de hierarquia – Foi então que um fazendeiro que criava galinhas teve uma ideia: enviar um de seus cães da raça pastor-maremano-abruzês para proteger os pinguins.

“Na Austrália, esses cães são normalmente usados para proteger galinhas, cabras e ovelhas”, explica Peter.
O cachorro em questão, o primeiro de vários enviados para Middle Island, se chamava Oddball – e Oddball causou um grande impacto.

“Nós imediatamente percebemos uma mudança no comportamento das raposas. A hierarquia da ilha mudou. As raposas conseguem ouvir o latido dos cães e os cães farejam quando elas estão por perto.”

Assim, desde a chegada de Oddball e de seus sucessores, há 10 anos, nenhum pinguim foi morto por uma raposa em Middle Island.

E a população desses pinguins chegou a quase 200.

Os cachorros que agora patrulham a ilha são Eudy e Tula, batizados em homenagem ao nome científico do pinguim, Eudyptula.

Eles são o sexto e o sétimo cães a cuidar das aves – e Peter já está treinando um filhote para assumir a tarefa no ano que vem.

A história do projeto fez tanto sucesso que inspirou o filme chamado Oddball.

“É mesmo uma história incrível. Estávamos tentando salvar um pinguim fofo com alguns cachorros fofos”, aonta Peter.

O filme, que já faturou US$ 8 milhões de bilheteria na Austrália, impulsionou o turismo na ilha. Nos meses de verão, as pessoas podem fazer um tour guiado pelo local.

“Foi uma das melhores coisas que nos aconteceu em muito tempo. Agora, os turistas vêm para conhecer os cachorros ou para fazer o tour na ilha”, conta John Watson, que tem um hotel na região.

Muitos dos moradores são personagens do filme ou trabalharam como extras.

“Meu personagem é interpretado por ator americano”, conta o fazendeiro Peter Abbott. “Eu digo para as pessoas que é porque eles não acharam um australiano tão bonito quanto eu.” (Fonte: G1)

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