São Carlos é a 1ª de SP a usar pastilha larvicida contra o mosquito da dengue

A cidade de São Carlos (SP) é a primeira do estado a testar uma estratégia inovadora no combate ao mosquito Aedes aegypti. Um micro-organismo capaz de exterminar as larvas do mosquito, que transmite a dengue, o zika vírus e a chikungunya, será produzido em forma de pastilha, que deve ser disponibilizada em pontos de possíveis criadouros. A distribuição gratuita do larvicida está prevista para janeiro de 2016.

O município viveu uma epidemia no início do ano com mais de 17 mil casos e quatro mortes. De julho até agora já são 38 casos confirmados e 719 notificações. A estratégia para tentar combater a proliferação do mosquito foi estudada e desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que conseguiram identificar uma bactéria capaz de atacar o mosquito.

Segundo Euclides Matheucci Jr, pesquisador e professor na área da biotecnologia da UFSCar, a bactéria é solta nos possíveis criadouros e atacam as larvas, matando grande parte instantaneamente. “Nas primeiras cinco horas, as bactérias matam 50% das larvas e nos dias seguintes matam o restante das larvas dos criadouros”, explicou.

A pastilha ainda apresenta uma tecnologia molecular capaz de identificar qual doença o mosquito pode transmitir. “É uma prévia para você poder enxergar o inimigo e não apenas os efeitos que ele causa”, disse Matheucci Jr.

De acordo com ele, cidade foi escolhida por não ter um alto fluxo de turistas, que acaba facilitando a propagação do mosquito. “Quem leva os vírus para os municípios são as pessoas infectadas. São Carlos, diferentemente disso, é uma cidade que tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) interessante e teve um surto forte no ano passado e, portanto, é ideal para que se faça uma medida do controle utilizando essas tecnologias”, disse o pesquisador.

Ação – Cerca de 30 mil crianças do ensino fundamental, que receberam capacitação por meio de um programa sobre a dengue, vão ajudar a distribuir as pastilhas nos quintais e pelos pontos dos bairros. A medida diminuirá a necessidade de nebulização em toda a cidade, facilitando a descoberta dos focos maiores do mosquito.

“Faremos algumas ações específicas. A princípio, não delineamos o trabalho em todas as residências, somente em lugares específicos”, explicou o secretário da Saúde de São Carlos, Marcus Alexandre Petrilli.

Inicialmente, as pastilhas serão entregues gratuitamente para a população em pontos estratégicos e que apresentem mais casos de criadouros. A tecnologia deve estar disponível na primeira semana de janeiro de 2016.

Situação – De acordo com Petrilli, a cidade vive um período alarmante após suspeitas de zika e chikungunya. “As medidas terão que ser tomadas de imediato. As ações que são preconizadas pelo Ministério da Saúde são cumpridas pelo município, só que a gente acompanha essas ações com algumas alternativas, utilizando bases tecnológicas para acelerar a contenção do mosquito e de focos e criadouros”, disse.

Para o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), a população tem que participar ativamente dessas ações. “É uma tragédia anunciada que depende do envolvimento e do comprometimento da sociedade. Vai depender da nossa comunicação e da nossa ação. Agora é higiene, limpeza, educação, é cada um fazer a sua lição de casa. É uma operação de guerra e vai ficar ainda mais grave se não tomarmos uma posição”, destacou. (Fonte: G1)

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