Lama da Samarco se estende por 168,2 km² no mar do ES, diz Iema

A lama oriunda do rompimento da barragem da Samarco, propriedade da Vale e da BHP Billiton estende por 168,2 km² no mar do Espírito Santo. O Instituto Últimos Refúgios divulgou imagens da destruição provocada pela lama nas comunidades próximas ao Rio Doce.

De acordo com as medições do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), realizadas nesta terça-feira (29), os rejeitos de minério já se espalharam por 22,3 km ao Sul, em direção ao município de Aracruz e 14,3 km para o Norte, no município de Linhares e 10,7 km para alto mar, no sentido Leste.

O rompimento da barragem aconteceu no dia 5 de novembro e causou uma enxurrada de lama no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região Central de Minas Gerais. Os rejeitos da mineradora contaminaram todo o Rio Doce e chegaram até a foz, no município de Linhares.

Lágrimas do Rio Doce – O Instituto Últimos Refúgios divulgou na segunda-feira (28) imagens da terceira expedição do projeto Lágrimas do Rio Doce, que pretende documentar e acompanhar a situação da bacia hidrográfica após o rompimento da barragem da Samarco.

“Nós fizemos uma expedição antes da lama chegar no ES, uma segunda que acompanhou a lama chegando e o impacto disso no rio e nos animais e teve a terceira expedição, que foi um mês depois da chegada da lama”, disse Leonardo Merçon, presidente do Instituto.

Na última expedição, Merçon conta que foram percebidos os impactos especialmente nas comunidades que vivem as margens do rio.

“A gente começou a perceber que os impactos estão chegando, é um processo em cadeia. Por exemplo, as pessoas estão começando a ficar doentes e também várias questões da economia dessas comunidades proximas ao rio, que estão entrando em colapso, como o criador de vaca ou o pescador, que não estão tendo compradores por causa do medo de contaminação”, disse.

O Instituto pretende realizar uma nova expedição dentro de seis meses. A última será um ano após o desastre que devastou o Rio Doce. Para a realização dessas expedições, o Últimos Refúgios pede a contribuição da população. Mais informações sobre o projeto e as doações podem ser encontrados no site do Instituto.

Segundo a Ação Civil Pública, a Vale e a BHP foram poluidoras indiretas e devem sofrer as punições, porque a Samarco não tem patrimônio suficiente para ressarcimento integral do dano socioambiental estimado em mais de R$ 20 bilhões.

O juiz ainda determinou que, em até de 10 dias, a Samarco impeça o vazamento de volume de rejeitos que ainda escorrem da barragem rompida ou comprove que já adotou tal medida e que inicie avaliações para atestar a contaminação dos peixes da bacia e de seus efluentes.

Por fim, a decisão proíbe que a Samarco distribua dividendos, bonificações e lucros aos seus sócios. (Fonte: G1)

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