Outros 2 insetos causam febre com sintomas da dengue, diz Fiocruz

Dois insetos que causam febres tropicais podem estar colaborando para gerar diagnósticos equivocados de doenças endêmicas no Amazonas. A Febre Oropouche e a Febre Mayaro são pesquisadas pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), em Manaus, que aponta que as duas doenças apresentam sintomas similares aos da dengue, zika e chikungunya. De acordo com o virologista da fundação, 50% dos casos suspeitos de dengue, por exemplo, podem ser, na verdade, uma das duas febres.

O transmissor da Febre Oropouche é o ceratopogonidae, conhecido com maruim, meruim, mosquito pólvora, polvinhas, dentre outros nomes. Ele é comum em áreas de florestas e tem fácil reprodução. O combate é praticamente impossível, pois na fase adulta ele atinge o tamanho máximo de 3 milímetros.

A febre Mayaro é transmitida pelo mosquito Haemagogus janthinomys, que também causa febre amarela. Assim como o maruim, ele se reproduz em áreas de floresta e tem o combate difícil por conta do tamanho.

Segundo o doutor em virologia e vice-presidente da Fiocruz, Felipe Naveca, apesar de o transmissor não ser o Aedes aegypti, as febres causam dores no corpo, na cabeça e podem facilmente ser confundidas com dengue, zika ou chikungunya.

“Desde 2010 nós temos um projeto que desenvolveu um diagnóstico para Febre Oropouche e Febre Mayaro, que são dois arbovírus aqui da região Amazônica, relacionados a surtos esporádicos mas não com a mesma proporção de dengue, e agora zika e chikungunya”, disse Naveca.

Segundo o pesquisador, já foram publicados trabalhos sobre casos de Oropouche em Manaus, em conjunto com a Fundação de Medicina Tropical (FMT). “Temos trabalhado nessa expectativa de que muitos casos passam diagnosticados como dengue, mas na verdade são causados por outros arbovírus, dentre eles, o Oropouche que tem surtos esporádicos no Amazonas”, explica.

O virologista informou ainda que o vírus existe desde a década de 1950. “Pode ter muito mais casos do que a gente imagina porque não tinha as ferramentas específicas de pesquisa. As pessoas acham que tudo é dengue, mas na verdade 50% desses casos com suspeita de dengue podem ser a Febre Oropouche ou Mayaro”, aponta o virologista.

De acordo com Naveca, os moradores dos municípios do Amazonas estão mais expostos aos vírus porque vivem em contato com a floresta, assim como moradores da capital que moram próximo a áreas com grande concentração de árvores. “A literatura mostra diversos surtos aqui no Amazonas, especialmente no interior do estado, mas ainda não temos as áreas de risco no Amazonas detalhada. Tem um ou outro estudo detalhado, mas precisa de um estudo contínuo, que é o que pretendemos fazer”, ressalta o pesquisador.

Sintomas – Os sintomas entre todas as febres são parecidos, conforme a pesquisa. Dores no corpo, nos olhos e febre estão em todos os casos. “Há relatos que na febre Oropouche há uma forte sensibilidade à luz, mas não é em 100% dos casos. O médico vai diagnosticar a partir da história da doença. Essa pessoa esteve em área endêmicas para dengue? Ela esteve em área de floresta? Tudo isso é utilizado para fechar o diagnóstico quando você não tem ferramenta laboratorial, mas mesmo dengue, Chikungunya e Zika, que são transmitidos em ambientes urbanos, são difíceis de obter um diagnóstico só com o atendimento clínico”, destaca.

“Mayaro e Chikungunya são vírus da mesma família, então os sintomas são parecidos. Porém o Mayaro causa artralgia, ou seja, muita dor nas articulações, enquanto os outros causam mialgia, que é dor muscular. Tanto Mayaro quanto Chinkungunya têm os sintomas com maior duração que os outros. Há relatos com dois anos de duração após o diagnóstico. Mayaro não tem nenhum relato de morte, Chikungunya não tem no Amazonas, mas há relatos em outros estados. Os sintomas costumam ser mais fortes em crianças e idosos. Nos casos mais graves das febres, os vírus podem causar encefalite”, afirma Naveca.

Diagnóstico – Os exames tradicionais não diagnosticam o Oropouche e Mayaro. O diagnóstico pode ser obtido pela Fiocruz, que analisa as amostras negativas para dengue e malária enviadas pelo Serviços de Pronto-Atendimentos (SPA) e pelo Tropical. Os critérios médicos de exclusão passam a suspeitar de umas das duas febres virais. A fundação não faz atendimento à população, mas atua em parceria com a doutora Regina Figueiredo, da FMT, que estuda casos febris no interior do estado.

O pesquisador destaca que todas as febres são mais fáceis de diagnosticar no início dos sintomas até o quinto dia, porque há mais ferramentas nas amostras que contribuem para a pesquisa. Após o quinto dia o vírus vai ficando fraco e o diagnóstico correto mais difícil.

“O diagnóstico é feito com um teste molecular, que é a detecção do material genético do vírus. Por isso temos que trabalhar até o quinto dia. O custo do exame é alto, então precisamos ter um número de amostras para analisar e o resultado sai em três ou quatro horas. O tratamento não muda, não há uma droga específica para o tratamento de nenhuma delas, então a pesquisa consiste no diagnóstico correto para a gente saber o tamanho do problema”, afirma.

Amostras dos exames realizados em 2015 estão sendo levantadas para apontar quantos realmente foram dengue e quantos são de outras doenças. Para o pesquisador, como zika e chikungunya são mais recentes no país, é mais provável que se tenha no Amazonas mais casos de Mayaro e Oropouche. Estamos em estudo, o zika, por exemplo, achava- se que era um vírus brando, até começar a aparecer vários casos, ter morte e microcefalia. Tudo depende do número de casos que vão aparecendo.

Combate – Ainda não há pesquisa para vacina porque o objetivo do estudo é mostrar que nem tudo é dengue, e pelo alto custo da produção de uma vacina, a pesquisa ainda não foi desenvolvida. Ele cita que dengue mesmo com todos os surtos ocorridos agora que se tem uma vacina, no entanto as respostas à vacina ainda são desconhecidas.

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Eurico Arruda, disse ao G1 que há alguns estudos em andamento para a elaboração de uma vacina, no entanto, as pesquisa ainda está em fase de bancada de laboratorial, com testes em ratos e camundongos, sem nenhuma utilização em humanos.

O repelente é o meio mais eficaz de combate aos transmissores. “Não tem como combater porque não se pode colocar veneno na floresta senão gera um desequilíbrio, então o que se pode fazer é criar barreiras, no caso, repelentes, telas nas janelas, mosquiteiros. Temos poucos relatos de casos e estamos estudando” conclui.

Segundo a diretora presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim, não há registro de casos notificados da doença no Amazonas, há vários anos. A diretora explica que não existe um tratamento específico por se tratar de uma doença viral e que, portanto, só é possível combater os sintomas, por meio do uso de medicamento receitado por um médico.

O diagnóstico é feito através de exames laboratoriais. A diretora ressalta que o Amazonas está preparado para diagnosticar e tratar a doença. (Fonte: G1)

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