Estudo da USP em Ribeirão Preto, SP, detecta 5 subtipos de câncer cerebral

Um estudo envolvendo pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP) e de duas faculdades dos Estados Unidos descobriu cinco novos subtipos de câncer cerebral. Até então, a doença era classificada apenas como de baixo ou alto grau, segundo a farmacêutica Tathiane Malta, uma das pesquisadoras.

A iniciativa deve possibilitar um diagnóstico mais apurado e um tratamento personalizado aos pacientes, diante de uma doença que, em 90% dos casos, causa morte. A descoberta ocorreu através do DNA de 1.122 pessoas diagnosticadas nos últimos dez anos em diferentes países.

“Infelizmente glioma não tem cura. Mas agora a gente consegue dividir os pacientes e prever qual será a evolução clínica deles, quem piora e quem melhora”, afirmou Tathiane.

Conflitos nos exames – A pesquisadora explicou que o refinamento dos tipos de câncer no cérebro foi motivado por eventuais conflitos até então gerados no exame tradicional – a histopatologia -, que consiste da retirada de tumor cerebral e da posterior análise em laboratório.

Segundo ela, ao mesmo tempo em que alguns casos classificados como graves apresentavam recuperação significativa, outros, tidos como de baixo grau, resultavam em morte.

A proposta foi então se basear também em dados moleculares extraídos do DNA e do RNA dos pacientes e obter mais pistas sobre os diferentes comportamentos dos tumores.

O objetivo é que o método seja adicionado à avaliação definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, com uma classificação mais apurada em sete subtipos, seja possível indicar o tratamento mais adequado ao paciente.

“Ele [o estudo] traz a capacidade de compreender melhor toda a biologia do câncer cerebral classificando pacientes em subgrupos, o que nos ajuda a entender melhor a biologia do tumor e também a providenciar fundamentos para diagnósticos clínicos de pacientes que sofrem com tumor cerebral”, disse o professor britânico Houtan Noushmehr, PhD em epigenética e orientador da pesquisa em Ribeirão.

‘Nunca me senti tão bem’, diz paciente
– A descoberta pode beneficiar pessoas como o caldeireiro João Faquin Filho, diagnosticado com a forma mais grave da doença no final de 2013, com baixa expectativa de vida, mas com uma recuperação que tem surpreendido os médicos.

Os pesquisadores acreditam que o caso dele é um exemplo em que a classificação convencional do tumor se mostrou equivocada.

Faquin Filho contou que, quando descobriu o câncer, sentia fortes dores de cabeça todas as noites e foi encaminhado rapidamente ao Hospital das Clínicas de Ribeirão para tratamento. No ano seguinte, passou por cirurgia para retirada do tumor e, desde então, tem se recuperado.

“Eu nunca me senti tão bem. Ainda estou em tratamento, mas desde a cirurgia [o que sobrou do] tumor não sofreu alterações. Toda a equipe que me atende está encantada com o resultado”, afirmou. (Fonte: G1)

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