Inca adere a campanha mundial contra câncer que tem foco na obesidade

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) aderiu à campanha da União Internacional para o Controle do Câncer, que este ano tem como foco o controle da obesidade. A campanha “Eu posso, nós podemos” terá duração de três anos.

A nutricionista Maria Eduarda Melo, da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Inca, afirmou na quinta-feira (4), Dia Mundial do Câncer, que existem evidências que relacionam o excesso de peso e a obesidade a dez tipos de câncer, entre os quais os de mama pós-menopausa, próstata, esôfago, cólon e reto, ovário, endométrio e rim, além de doenças crônicas não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares.

Segundo Maria Eduarda, quando se fala do controle da obesidade, é preciso discutir também a alimentação e a falta de atividades físicas, “porque são fatores relacionados”. Porém, essa relação ainda não é reconhecida pela população, disse a nutricionista. Dependendo da alimentação e do peso corporal, a pessoa pode aumentar, ou reduzir, as chances de desenvolver um câncer, acrescentou.

Atualmente, cerca de 57% da população adulta brasileira têm excesso de peso. Para Maria Eduarda, o grande problema é que os padrões alimentares dos brasileiros vêm mudando e, cada vez mais, as pessoas consomem menos produtos in natura ou minimamente processados, que seriam as frutas, legumes, verduras, preparações tradicionais como arroz e feijão e mandioca. E aumenta o consumo de alimentos ultraprocessados, prontos para aquecer ou consumir, em que não há necessidade de nenhum preparo.

Produtos utraprocessados são muito relacionados à obesidade por conterem altos teores de açúcar, gordura vegetal hidrogenada e sódio, além de elevada densidade calórica. De acordo com Maria Eduarda, na década de 80, esses alimentos contribuíam com 8% da ingestão de energia do brasileiro. O percentual subiu para 30% na primeira década dos anos 2000. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, por volta de 2008/2009, um terço da ingestão de energia vinha de produtos ultraprocessados, que não são considerados saudáveis.

Para a nutricionista, o importante é ter um ambiente que favoreça melhores escolhas alimentares. Isso é essencial porque se sabe que os principais determinantes de uma escolha são o acesso e o preço, ressaltou Maria Eduarda. “A disponibilidade que se tem de comprar alimentos saudáveis e o preço vão influenciar no nosso consumo”, acrescentou a nutricionista. Ela explicou que é preciso entender que a comida ultraprocessados favorece a obesidade e evitar bebidas e sucos artificiais, biscoitos industrializados, que contêm quantidade pequena do alimento original e vários aditivos, além de refeições do tipo fast-food (comida rápida).

A campanha mostra, de forma geral, o que as pessoas devem fazer para prevenir e controlar o câncer e como a sociedade organizada pode contribuir para isso, A mensagem do Inca é que uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas são o binômio-chave para a prevenção de vários tipos de câncer. De acordo com estimativa do instituto, cerca de 15 mil novos casos de câncer no Brasil em 2016 deverão ser atribuídos ao excesso de peso e à obesidade.

O Inca estima que haverá no Brasil, este ano, 61.200 novos casos de câncer de próstata, tipo da doença mais comum entre os homens, e 57.960 novos casos de câncer de mama, o mais incidente entre as mulheres. O câncer de intestino, que afeta o cólon e o reto, será o terceiro em incidência, com 34.280 novos casos – 16.660 em homens e 17.620 em mulheres. (Fonte: Agência Brasil)

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