Estiagem deixa 3 cidades do AM em alerta e ameaça isolar comunidades

Três municípios estão em situação de alerta e um está em emergência por conta da estiagem na calha do Rio Negro. A seca dos mananciais ocasionada pela falta de chuva ameaça isolar cidades e já compromete o abastecimento de água e alimentos. De acordo com a Defesa Civil do Estado do Amazonas, a mudança foi motivada pelo El Niño e ocorre durante o chamado “inverno amazônico”.

Os municípios de Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos decretaram situação de alerta por conta da estiagem. Presidente Figueiredo, que já sofre com desabastecimento, decretou emergência. Em Barcelos, também foi decretada situação de emergência, mas por conta das queimadas. As informações foram divulgadas pela Defesa Civil nesta quinta-feira (11).

De acordo com informações repassadas pelo órgão, a menor vazante registrada em Santa Isabel foi de 28 centímetros no dia 13 de março de 1980. A cota registrada em 8 de fevereiro de 2016 foi de 0,85 cm, faltando 57 centímetros para atingir a mínima história. Já em São Gabriel da Cachoeira, a menor vazante registrada em 1992, foi de 3,30 cm. No dia 9 de fevereiro de 2016, a cota foi de 3,95 cm, faltando 65 cm para atingir a cota histórica. Em 1980, ocorreu a menor vazante de 58 cm em Barcelos. No dia 7 de fevereiro de 2016, a cota foi de 1,22 cm, restando 64 cm para atingir a cota mínima.

Segundo o secretário executivo da Defesa Civil, Coronel Fernando Júnior, os técnicos do órgão estão em São Gabriel e Santa Isabel avaliando se haverá a necessidade que seja decretada situação de emergência, por conta da redução do nível do rio.

Dificuldade no abastecimento – Com o baixo nível do Negro, o tráfego das embarcações fica prejudicado. Desta forma, alimentos, medicamentos, combustível e até mesmo água potável não têm como chegar até algumas comunidades.

Os municípios de Barcelos, Santa Isabel e São Gabriel da Cachoeira ainda não têm sofrido com o desabastecimento de água potável. “O comércio já está sentindo falta de produtos que não estão chegando nas comunidades por conta da descida das águas. Não temos mais como trabalhar as balsas para chegar aos destinos finais. Os gêneros alimentícios estão sendo enviados em voadeiras”, informou o secretário executivo da Defesa Civil.

Já no município de Presidente Figueiredo a situação é mais grave. O secretário explicou que a maioria das comunidades do município já sofrem com o desabastecimento de água e de comida.

“Algumas comunidades estão praticamente isoladas. Nossa preocupação é com água potável para os locais que já estão em situação de isolamento, mas todas já estão assistidas pela prefeitura e pelo governo que já disponibilizou aporte financeiro de R$ 100 mil para ajudar na manutenção da água através do carro pipa”, disse o coronel.

Carros-pipa – O secretário apontou que as comunidades de Canastra, Nova Jerusalém, Nova Floresta, Jardim Floresta e Rumo Certo são as mais prejudicadas. “A água está sendo levada em carros-pipa. Na comunidade Rumo Certo, por exemplo, os medicamentos, alimentos e combustíveis que chegavam pelas embarcações, estão sendo encaminhados por carro. Em Presidente Figueiredo todas as comunidades estão com problema de abastecimento de água. Na sede do município foi aberto um poço para abastecer os bairros”, informou.

Ele explicou que a influência do El Niño deve se prolongar até o mês de abril. “Pela primeira vez em fevereiro estamos com clima tipicamente de verão. Pela previsão dos especialistas em clima, as chuvas vão se intensificar em abril, mas em uma quantidade pouca”, afirmou.

Equipes das defesas civil do Estado e dos 62 municípios realizam monitoramentos diários nas calhas dor rios. Para enfrentar o “verão fora de época”, eles já articulam colocar em prática um plano de contingencia que envolve apoio das forças armadas para o envio de água e suprimentos. “Em tempos diferentes, enquanto hoje estaríamos preocupados com a enchente, estamos agora preocupados com a estiagem”, analisou.

Cheia – Contudo, a estiagem não é a única preocupação dos estudiosos. Se por um lado, a estiagem na calha do Rio Negro demanda atenção redobrada, a enchente nos rios Purus e Madeira também chama atenção das autoridades.

“Isso nunca aconteceu no nosso estado. Vamos usar o histórico da Defesa Civil para atuar nessa situação atípica. Provavelmente teremos dois tipos de desastre em 2016: de um lado as enchentes na área sul do Amazonas e, do outro, a estiagem na área norte do Amazonas”, afirmou.

Queimadas - Barcelos, onde foi decretada situação de emergência, sofre com a falta de chuvas e alto número de incêndios. Em janeiro deste ano, foram registradas 375 focos de incêndio. Em 2015, foram seis registros no mesmo período. (Fonte: G1)

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