Ter DNA neandertal aumenta risco de sofrer até 12 doenças, diz estudo

Ter herdado DNA dos neandertais põe pessoas de origem euroasiática em maior risco de sofrer até 12 doenças, desde um infarto até uma depressão, segundo um novo estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pela revista “Science”.

Conhecer o tipo de DNA neandertal de uma pessoa pode ajudar o médico a determinar seu risco de cair na dependência à nicotina ou de sofrer problemas neurológicos e psiquiátricos, afirmou em entrevista à Agência EFE Tony Capra, principal pesquisador do estudo.

Os humanos anatomicamente modernos se misturaram com homens mais antigos como os neandertais quando saíram da África há cerca de 60 mil anos, por isso uma pequena fração dos genomas do homem moderno não-africano está composta de DNA dos neandertais.

Essa herança genética dotou provavelmente os Homo sapiens modernos de vantagens adaptativas em um novo meio com diferentes patógenos e níveis de exposição solar, mas esse legado poderia ser contraproducente no mundo de hoje.

Hipercoagulação e doença de pele – Um exemplo é que uma variante do DNA neandertal aumenta a coagulação do sangue, o que pode ter ajudado nossos ancestrais a cicatrizar os ferimentos com mais rapidez, impedindo a passagem dos novos patógenos.

No entanto, essa variante se tornou prejudicial hoje em dia, porque a hipercoagulação aumenta o risco de sofrer um infarto, uma embolia pulmonar ou complicações durante a gravidez.

Capra e sua equipe também determinaram que o DNA de neandertal aumenta significativamente o risco de sofrer uma doença de pele chamada queratose actínica, que causa lesões escamosas após longas exposições ao sol.

Mais risco de depressão? – Os resultados deixam mais perguntas quanto ao risco de cair em uma depressão ou de se viciar em nicotina, já que “esses problemas talvez nem sequer faziam sentido há 50 mil anos”, ressaltou o pesquisador.

“Sabemos que o DNA neandertal tem uma potencial influência, mas o mais provável é que essas variantes tivessem diferentes efeitos no ambiente em que viviam nossos ancestrais que nos humanos modernos”, acrescentou.

Hoje em dia, ter herdado determinados traços do DNA neandertal aumenta o risco de sofrer depressão. Se o legado for de outras variantes, o risco diminui.

As associações mais surpreendentes para a equipe de cientistas da Universidade Vanderbilt (Tennessee) são as que relacionam o DNA neandertal às doenças psiquiátricas e neurológicas, além da desnutrição.
“Ter DNA neandertal não significa que irá sofrer uma doença com certeza, mas há um risco, porque foi determinada uma relação pequena, porém significativa, com 12 doenças”, esclareceu Capra.

“Este estudo revela como a história evolutiva influiu no risco de doenças da população. Para tratar essas doenças, será importante entender como essas frações de DNA neandertal influem em nível molecular”, completou.

A pesquisa é a primeira que compara diretamente o DNA neandertal nos genomas de uma população significativa de adultos (mais de 28 mil) de origem euroasiática com seu histórico médico e confirma que o legado genético tem um “impacto sutil, mas significativo”, na biologia humana moderna. (Fonte: G1)

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