Técnica que esteriliza Aedes aegypti deve ficar pronta em quatro meses

Cientistas pernambucanos esperam que em quatro meses a quantidade de mosquitos da espécie Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e da febre chikungunya, possa começar a diminuir em Pernambuco. Esse é o prazo para a conclusão de um experimento feito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que procura inviabilizar o processo de reprodução do inseto por meio da energia nuclear. Os detalhes foram repassados em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (15) no Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife.

A pesquisa tem como base uma antiga técnica utilizada na agricultura para o controle de pragas, que esteriliza os machos utilizando-se a radiação gama. “A radiação, quando entra em contato com material biológico, altera várias funções do organismo, entre elas o acasalamento. A radiação gama faz a ionização das células, que ficam impedidas de se reproduzir”, explica a pesquisadora do departamento de Energia Nuclear da UFPE, Edivânia Souza.

Depois dos primeiros testes feitos em laboratório, a pesquisa estrou em fase de verificação na natureza, na Vila da Praia de Conceição, em Fernando de Noronha. Desde dezembro, aproximadamente 36 mil machos produzidos pelos pesquisadores foram liberados para competir com os selvagens no processo de acasalamento com as fêmeas. As liberações são feitas semanalmente, com 3 mil insetos por vez.

De acordo com a pesquisadora da Fiocruz, Alice Varjal, a escolha por Fernando de Noronha se deu pelas condições de isolamento do espaço natural. “Em uma área urbana, pode haver muitas interferências no processo. Escolhemos Noronha porque há um isolamento geográfico natural. E, mesmo assim, estamos fazendo um estrato da ilha, onde estamos fazendo os primeiros testes”, justifica.

Os mosquitos estão sendo gerados no insetário do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. “A produção em larga escala é fundamental. Não temos como produzir só machos. Depois que eles nascem, fazemos uma triagem em laboratório. Estamos adquirindo um aparelho que vai fazer uma triagem mecânica com base no tamanho de cada inseto, já que a fêmea é maior que o macho. A cada semana, conseguimos produzir novas pupas e mosquitos estéreis”, detalha Varjal.

Ações – A servidora da Secretaria de Saúde do Estado responsável por Fernando de Noronha, Fátima Borges, espera que o estudo possibilite novos instrumentos de combate ao Aedes aegypti. “Nós continuamos fazendo esse controle do vetor da dengue e seguimos em parceria com o Centro Aggeu Magalhães. Quando a gente tem uma parceria entre pesquisa e serviço, nós temos um avanço enorme. Nós apostamos na ciência junto com a prática”, afirma.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, no arquipélago, foram notificados 17 casos de dengue, entre os dias 1º e 23 de janeiro. No mesmo período, houve sete notificações de chikungunya. Nenhum desses casos foi confirmado. Também não houve notificações de zika vírus na ilha. (Fonte: G1)

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