Aedes que não transmite vírus é a grande aposta da Fiocruz contra zika

Pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) estão obtendo resultados promissores em um novo experimento contra o Aedes aegypti. Eles introduziram a bactéria Wolbachia (lê-se voubáquia) em ovos do mosquito para torná-lo incapaz de transmitir os vírus da dengue, da febre amarela, da chikungunya e da zika.

Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, esta é uma das principais apostas científica do país no controle dos surtos para os próximos anos, porque, ao contrário do polêmico mosquito transgênico infértil da Oxitec usado em algumas cidades do Brasil, este é capaz de substituir a população existente sem nenhum prejuízo ao equilíbrio do meio ambiente.

A técnica também não envolve modificação genética ou procedimento com produtos tóxicos – a Wolbachia já existe em mais da metade dos insetos do mundo, inclusive no pernilongo, e não causa danos à saúde humana. “É uma bactéria restrita a animais invertebrados”, explica a Fiocruz.

A técnica, desenvolvida na Austrália, usa microinjeção para inserir a bactéria, originária da mosca-das-frutas (a Drosophila melanogaster), nos mosquitos. A bactéria bloqueia o vírus e impede a transmissão de doenças, além de reduzir a longevidade do Aedes.

O teste atual está sendo feito nos bairros de Tubiacanga, no Rio de Janeiro, e Jurujuba, em Niterói (RJ), onde os mosquitos modificados já estão soltos e reproduzindo-se na natureza. Por ali nasce uma geração de insetos que, após seis meses de análise, carregam a bactéria e deixam de ser vetores das doenças.

A pesquisa ainda está em fase inicial e em pequena escala de uso, mas os resultados preliminares apontam que após 20 semanas 65% dos Aedes aegypti das duas localidades já continha a bactéria. A liberação dos mosquitos modificados aconteceu entre setembro de 2014 e janeiro de 2015.

Apesar do grande potencial da pesquisa, a Fiocruz não diz em quanto tempo teremos os mosquitos em larga escala e em mais cidades do Brasil. Mesmo diante de uma epidemia que foi classificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), os pesquisadores só afirmam que ainda estão em fase de teste.

Entenda as fases envolvidas na pesquisa – Na fase de monitoramento do mosquito na natureza, os pesquisadores perceberam que houve uma redução no percentual do Aedes aegypti com bactéria nos bairros estudados. O clima (escassez de chuvas e altas temperaturas) e a sensibilidade dos mosquitos aos inseticidas devem ter contribuído para as mortes dos insetos.

O projeto então soltou mais exemplares nas localidades. Desta vez, foram colocados na natureza mosquitos adultos e também ovos de mosquitos modificados. Para isso, os pesquisadores usaram recipientes plásticos com tampa e pequenos furos nas laterais, com água e comida para as larvas, que foram colocados nas casas de moradores voluntários.

O ciclo é: depois de sete a dez dias, os ovos viraram larvas, que então viram mosquitos. Os Aedes saem pelos furos do pote e convivem na natureza com outros mosquitos. Ao se reproduzirem, criam uma nova geração de insetos com a bactéria.

Os moradores são visitados quinzenalmente, quando são repostos os ovos do mosquito.

Os estudos nacionais são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. (Fonte: UOL)

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