Camboja luta contra o contrabando de madeira com helicópteros de combate

O Camboja decidiu usar helicópteros de combate e mísseis para eliminar o crescente contrabando de madeira e a poda ilegal de árvores, atividades que fizeram com que o ritmo de desmatamento seja neste país um dos mais rápidos do mundo.

O primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, afirmou recentemente, durante a inauguração do novo Ministério de Meio ambiente em Phnom Penh, que tinha entregado dois helicópteros ao chefe da polícia militar, o general San Sokha, para que protegesse as florestas.

O Camboja perde ao ano cerca de 2.000 quilômetros quadrados de floresta, segundo um relatório da organização Forest Trends de julho de 2015.

“San Sokha aparentemente não disparou um só míssil ainda. Autorizei que dispare mísseis se os contrabandistas resistirem”, disse o chefe de governo na ocasião, segundo o jornal “Cambodia Daily”.

Com um tom irônico, Hun Sen se perguntou como as autoridades não podiam acabar com o contrabando de madeira.

“Os troncos são grandes, onde estão os olhos da polícia, da polícia militar, da guarda florestal e do Ministério de Meio Ambiente?”, questionou o presidente, que se sente uma vítima das críticas das organizações ambientalistas.

Relatórios de ONGs, acadêmicos e ativistas ambientais expõem a conexão entre o exercito e a polícia militar, os magnatas que controlam o contrabando e funcionários do governo para vender a madeira fora das fronteiras cambojanas.

A ONG Global Witness acusou em 2004 precisamente o general Sokha de estar envolvido na máfia do contrabando de madeira, cujo principal cliente é o mercado chinês, onde chega através do Vietnã.

O Camboja foi o país do mundo com o ritmo de desmatamento mais acelerado entre 2000 e 2014 e o nono que perdeu mais superfície de floresta, de acordo com um estudo do World Resource Institute publicado em setembro do ano passado.

O ativista ambiental espanhol Alejandro González-Davidson, da ONG Mother Nature, deportado do Camboja em 2015 e acusado perante a justiça cambojana por atividades relacionadas com seu trabalho, questionou as últimas medidas das autoridades.

“A destruição sistemática dos recursos naturais cambojanos é um dos maiores pilares econômicos do regime, uma fonte de receita que não só ajuda a enriquecer uma elite poderosa, mas também ajuda a manter vivo o status quo de poder”, declarou González-Davidson à Agência Efe.

“Cada iniciativa do governo cria os mesmos resultados: os cartéis mais poderosos comem outros grupos com menores conexões e acabam monopolizando o contrabando de madeira, a extração de areia… Em termos de destruição, tudo segue igual”, lamentou o ativista espanhol.

Por sua vez, a acadêmica Sarah Milne afirmou em um artigo no “Critical Asian Studies” em 2015 que o magnata local Try Pheap tem uma relação clientelista com o próprio Hun Sen e paga cerca de US$ 1 milhão por mês em “impostos” por suas atividades de comércio de recursos florestais.

Além disso, a ONG Jornalistas Sem Fronteiras disse em novembro do ano passado que o Camboja era o país asiático mais perigoso para os jornalistas ambientais e ativistas, com quatro mortos desde 2010.

No mês passado, contrabandistas mataram um guarda florestal e um policial que investigavam o tráfico madeireiro na província de Preah Vihear, no norte do país. (Fonte: Terra)

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