Comunidade da Reserva Mamirauá retoma atividades do manejo florestal madeireiro

Conhecimento da área, das espécies de madeira e olhos atentos na bússola. O conhecimento tradicional e a dedicação dos manejadores da comunidade São Francisco do Aiucá, localizada na Reserva Mamirauá (Am), vem contribuindo para a retomada do manejo florestal madeireiro pelo grupo. Recentemente, os manejadores estiveram reunidos para cumprir mais uma etapa das atividades. Os técnicos do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, estiveram na comunidade para conduzir, junto aos manejadores, as capacitações em Princípios de Manejo e Levantamento de Estoque, ações financiadas pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“São duas capacitações iniciais e que fazem parte do leque de atividades para que o manejador conheça todas as etapas de manejar a floresta. O que compõe essa capacitação são as partes teóricas de legislação, conceitos ecológicos, a importância do manejo florestal, da segurança no trabalho. E também as partes técnicas: como delimitar uma área de manejo em área de várzea, como classificar, escolher e inventariar as áreas que vão ser licenciadas para corte”, ressalta Elenice Assis, técnica coordenadora do Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá.

Elenice reforça que o levantamento de estoque é uma premissa para a solicitação da licença de exploração pelos planos de manejo. A comunidade iniciou o manejo florestal em 2002, e parou as atividades em 2009. “A comunidade do Auiucá passou um tempo sem manejo florestal em função de dificuldades que passavam naquele período. Foi quando começou o grupo do CVT (Centro Vocacional Tecnológico – Tecnologias Sociais da Amazônia), e dentro desse contexto, alguns jovens trabalhariam com algumas áreas de manejo. E um dos alunos era daqui da comunidade e surgiu com o interesse de movimentar novamente o grupo de manejo”, disse Elenice.

O grupo passou novamente pelo diagnóstico de perfil, executado pela assessoria do Instituto Mamirauá, uma análise para detectar se o novo grupo de manejadores atendia ou não ao perfil de manejadores atendido pelo programa, que provou que o grupo tem perfil para o trabalho com manejo florestal.

“Existia um motivo especial que era colocar em prática tudo o que os alunos do CVT aprenderam nesse período sobre gestão. O que é importante num plano de manejo, principalmente comunitário, é o trabalho voltado para a gestão da associação. Então, seriam dois testes: a retomada do manejo florestal do Aiucá, com esse novo interesse do grupo e de jovens, que também estavam querendo entrar na atividade de manejo, e também testar como esse jovem do CVT ia colocar em prática tudo que aprendeu”, reforçou a técnica.

Raimundo Rodrigues Moreira, de 23 anos, formado na primeira turma do CVT está contribuindo para o engajamento da comunidade para essa e outras atividades. “Posso ajudar na parte de mobilização, documentação, incentivo, e na parte também de desenvolver os jovens, despertar o interesse dos jovens a buscar cuidar o que é da gente. E também despertar o interesse deles para que eles comecem a lutar pelos seus direitos”, disse.

Durante o levantamento de estoque, os manejadores fazem um inventário da área de manejo, sinalizam as trilhas e identificam espécies com potencial para a exploração. Após o levantamento de estoque, é preparado um documento para o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para análise e licenciamento. Depois de concedida a licença, os manejadores se organizam para a exploração e comercialização da madeira.

Sidney de Araújo Moreira também é morador da comunidade São Franciso do Aiucá e faz parte do grupo de manejadores. “A importância é que a gente tem um trabalho que foi muito difícil de conseguir, que é o plano de manejo e que a gente tinha deixado de lado. Então, essa retomada do plano de manejo é muito boa porque muitos jovens queriam trabalhar. Com a volta, eles vão ter conhecimento de como se trabalha com manejo e nós também”, disse o manejador.

Sidney falou da importância da retomada do trabalho e a expectativa do grupo em trabalhar com uma atividade da qual já conhecem e que gera renda para a comunidade. E também passou um recado para outros comunitários: “aqui tem vários tipos de madeira, mulateiro, louro inamuí, açacu, castanharana, muratinga. E graças a Deus, no grupo, nenhum desanimou. Dizem que vão enfrentar, então estamos bem motivados pra iniciar esse trabalho. Penso que outros manejadores que deixaram também de fazer esse manejo, que tentem de novo. Porque o tempo passa, muitas coisas vão mudando e a gente tem que acompanhar. Que façam seu trabalho, porque é muito difícil a gente conseguir um plano de manejo, que não joguem fora o trabalho, porque é a oportunidade que estão dando pra gente”, comentou. (Fonte: Instituto Mamirauá)

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