USP cria sistema que usa matemática para detectar casos de esquizofrenia

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos desenvolveram um software que identifica as diferenças entre cérebros de quem tem ou não esquizofrenia. Usando cálculos matemáticos, o computador afirma com 80% de chances se há tendência de ter ou não a doença.

Segundo a pesquisa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), o programa interpreta exames de ressonância magnética, calcula a distância entre várias partes do cérebro e compara características de um órgão saudável com outro doente.

Sistema – De acordo com o pesquisador Francisco Rodrigues, o objetivo principal da pesquisa, iniciada em 2012, era desenvolver um modelo matemático computacional que permitisse fazer o diagnóstico sem qualquer tipo de experimento invasivo. Ele explicou que, quando a pessoa tem a doença, o cérebro é menos organizado em determinadas regiões do que o de uma pessoa que não tem a esquizofrenia.

Os códigos matemáticos podem ajudar no diagnóstico precoce. “Se você pega um jovem ou uma criança que ainda não manifestou a doença e faz esse mapeamento, o programa vai falar qual é a chance dessa pessoa desenvolver ou não. Com isso, pode-se fazer um monitoramento e, se a pessoa tem uma tendência, pode-se acompanhar e aí talvez usar algum tipo de medicação para evitar que a doença evolua”, disse o pesquisador.

A doença – A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que dificulta a distinção entre as experiências reais e imaginárias, interfere no pensamento lógico e tem causas ainda desconhecidas.

“São frequentes alucinações olfativas, visuais, auditivas, a sensação de estar sendo perseguido. Rituais paranoides em que a pessoa tem a sensação de que existe algum plano contra ela. Perda do controle de suas ações e geralmente culmina sempre com a necessidade muito grande de atender as demandas sociais”, explicou o neurologista Francisco Márcio de Carvalho.

A doença atinge mais de 1,5 milhão de brasileiros. São cinquenta mil novos casos por ano no país e um dos desafios é o diagnóstico mais preciso. “O diagnóstico é essencialmente clínico. Não há um exame que faça a confirmação de certeza. O diagnóstico pode ser difícil, principalmente em caso em que tenha uma tendência do paciente a omitir o seu sofrimento e, algumas vezes, um isolamento social que afasta ele das pessoas e dos familiares”, avaliou o especialista.

Recuperação – O aposentado José Eduardo Rodrigues Júnior hoje cuida das plantas e dos cães em casa, mas não imaginava que um dia pudesse fazer isso. Quando era criança, ele ouvia vozes, tinha dificuldades para estudar e era agressivo. Deu muito trabalho em casa e na escola. Só muitos anos depois, já adulto, que teve o diagnóstico correto: esquizofrenia. Passou a tomar os remédios, voltou a estudar, casou-se e fez amigos. “Eu consegui concluir o segundo grau e me dar melhor com as pessoas”, contou.

Rodrigues disse acreditar que, se tivesse sido diagnosticado com a doença mais cedo, teria sofrido bem menos. “Eu teria emprego, seria mais calmo, teria mais amigos e seria mais feliz”, completou. (Fonte: G1)

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