Biólogos estudam família de onças que vive próxima a usina

Biólogos e veterinários estão estudando o comportamento de uma família de onças pardas que está vivendo em uma reserva ambiental, em Promissão (SP). Os animais foram vistos no local depois que um trabalho de reflorestamento da Mata Atlântica começou a ser feito ao lado dos reservatórios de uma hidrelétrica, que fica no Rio Tietê, e tem atraído animais que procuram refúgio e local para reprodução. Sete onças foram registradas pelas câmeras.

“É o estudo da ecologia da espécie, pois pouco se sabe sobre como ela vive. Embora a onça parda seja uma espécie menos ameaçada do que a onça pintada, muito mais se sabe sobre os detalhes da ecologia da onça pintada do que a própria onça parda. Esse estudo vai permitir que a gente veja exatamente como ela utiliza essas áreas de monocultura. Se ela está só de passagem, ou se ela está realmente, vamos dizer, morando ali dentro do canavial”, explica a pesquisadora do Instituto Pró-Carnívoros Sandra Cavalcanti.

O trabalho de reflorestamento atraiu vários animais, mas ninguém imaginava que uma onça estivesse vivendo no local. A descoberta foi feita depois que funcionários de uma usina de cana-de-açúcar próximo a hidrelétrica decidiram instalar várias câmeras na mata, principalmente em pontos onde existiam pegadas e logo descobriram que em vez de uma, eram várias onças vivendo ali, inclusive filhotes.

Ninguém sabe de onde elas vieram, segundo o vice-presidente do grupo Geração de Energia AES Brasil, Ítalo Freitas. “Foi uma surpresa até para nós quando um dia foi fotografado pelas câmeras de segurança a onça nas imediações das usinas.”

Parceria para estudo – Para entender o que as onças fazem na região e como vivem, a empresa responsável pela hidrelétrica fez uma parceria com uma Organização Não-Governamental especializada na pesquisa de animais carnívoros. Os pesquisadores fizeram uma armadilha que laçam as patas das onças pardas.

Elas são ativadas no fim da tarde e começo da noite, período em que os bichos se movimentam mais pela mata, para caçar. Só os integrantes da equipe de pesquisa ficam no local porque as onças pardas são ariscas demais e a presença de outras pessoas poderia afugentar os felinos.

Depois que o animal é capturado e anestesiado, os pesquisadores retiram sangue, pesam, medem e colocam um colar especial que transmite informações por satélite. Em menos de uma semana, os biólogos e veterinários da equipe conseguiram capturar duas onças.

Depois de receberem os colares, os animais foram soltos. Os equipamentos funcionam à bateria que deve durar um ano. É o tempo para que a pesquisa seja concluída. “O que nós recebemos são pontinhos em um mapa e cada dos pontinhos está associado a um horário e uma data. Então a gente sabe exatamente onde a onça está andando naquele dia, naquela hora. A gente sabe onde ela foi”, conta Sandra.

Para os pesquisadores, as imagens registradas durante vários meses indicam que as onças se adaptaram bem. Com os filhotes, os animais circulam com tranquilidade pela mata e pelos canaviais. Em vários momentos, animais adultos andam juntos, o que é raro, segundo os biólogos.

Nas imagens é possível ver que as onças seguem em grupo e atentas. A última parece perceber algo diferente e para em frente à câmera instalada na árvore. Outras câmeras mostram três onças pardas caçando. “Capivaras, tatus, a lebre europeia que é bem abundante aqui na região. O que ela encontra ela mata”, afirma Sandra.

A presença desses animais também surpreendeu os moradores deste assentamento rural que fica ao lado da reserva. Eles contam que já viram rastros e barulho, mas não encontraram nenhuma onça. “Eu pesco na reserva e já vi o rastro dela”, afirma o motorista Aloizio Roseno Alves. (Fonte: G1)

Esta entrada foi escrita emClipping e tags ,
Ambientebrasil - Notícias located at 511/67 Huynh Van Banh , Ho Chi Minh, VN . Reviewed by 43 customers rated: 4 / 5