OMS recomenda adoção de vacina contra dengue por países endêmicos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, nesta sexta-feira (15), a recomendação de que países com elevada transmissão de dengue considerem a introdução da vacina produzida pela Sanofi Pasteur – única imunização contra dengue registrada no mundo até o momento – como parte das estratégias de prevenção contra a doença, que também incluem o controle de mosquitos.

A recomendação foi feita com base em um parecer do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (Sage) sobre Imunização da OMS, que se reuniu para discutir o assunto nesta quinta-feira em Genebra.

O grupo considera que a vacinação no início da adolescência pode reduzir a hospitalização por dengue entre 10% e 30% no período de 30 anos, o que representa um benefício significativo para a saúde pública. A recomendação vale para regiões em que a prevalência de pessoas que já tiveram dengue é de aproximadamente 70% ou maior, já que a vacina tem maior eficácia em pessoas que já foram acometidas por um dos sorotipos.

Para a farmacêutica-bioquímica Amanda Pinho, diretora de planejamento estratégico de dengue da Sanofi Pasteur, a recomendação da OMS é um dos critérios que pode ser levado em consideração pelo Ministério da Saúde para uma possível incorporação da imunização ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacina recebeu o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2015 e, atualmente, aguarda definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Só a partir dessa definição, esperada para este semestre, é que a vacina poderá ser comercializada no país.

Filipinas já começou vacinação – Nas Filipinas, a vacina já faz parte de um programa de vacinação pública que pretende aplicá-la em um milhão de crianças de três regiões com alta transmissão de dengue ainda este ano

No Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, já sinalizou em janeiro que considera a vacina da Sanofi “muito cara” e que a pasta ainda estuda se pretende ou não adotar o produto no sistema público.

O esquema de vacinação envolve a aplicação de três doses com intervalo de seis meses entre elas. Os resultados obtidos até o momento sugerem que não seria necessário revacinar.

A vacina é indicada para pessoas de 9 a 45 anos. Estudos clínicos de fase 3 haviam apontado que, em uma população de 9 a 16 anos, a vacina é capaz de proteger 66% dos indivíduos contra a dengue.

Nesse grupo etário, a imunização é bem mais eficaz para quem já foi infectado por um dos quatro sorotipos do vírus. Quem já pegou dengue tem uma proteção de 82%. Enquanto isso, quem nunca pegou a doença tem apenas 52% de proteção garantida.

Vacina do Butantan – Até o momento, a vacina de dengue da Sanofi – cujo nome comercial é DengVaxia – é a única aprovada no mundo. Mas existem outras vacinas em estudo. A que está em fase mais avançada é a que foi desenvolvida em parceria entre o Instituto Butantan e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), que já deu início à ultima fase de testes clínicos antes de ser submetida à Anvisa para registro. (Fonte: G1)

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