Estudo da USP usa melatonina para reduzir sintomas da doença de chagas

A cada seis meses, a dona de casa Ana Alves Chaves passa por exames e consultas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). O acompanhamento é necessário porque há 25 anos ela foi diagnosticada com a doença de chagas, mal que causa o inchaço de órgãos como esôfago e coração.

A doença não tem cura, mas um estudo inédito da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP descobriu que a melatonina, também conhecida como hormônio do sono, pode reduzir os efeitos desse enfermidade – principalmente a inflamação dos órgãos – na fase aguda.

“Eu não procurei tratamento no início, então fiquei muito ruim. Tive um ataque cardíaco, fiquei internada, quase morri. É difícil, a gente sabe que não tem cura, mas tem que ser guerreira e lutar”, disse Ana, na esperança de um dia viver sem os sintomas da doença.

Ainda em fase de testes em animais, a pesquisa desenvolvida pela USP identificou que a melatonina pode reduzir a carga do parasita Trypanossoma cruzi, que é transmitido pelo barbeiro e causa o mal de chagas, na corrente sanguínea.

“Na verdade, a melatonina não apresenta ação de cura, mas pode ser um importante aliado no tratamento. Nós observamos que os animais tratados diariamente com melatonina apresentaram redução dos processos inflamatórios”, explica a pesquisadora Vânia Brazão.

Atualmente, cerca de 3 milhões de brasileiros sofrem com mal de chagas, de acordo com o Ministério da Saúde. O problema é que o único medicamento disponível no país para tratar a doença é o benznidazol, um antiparasitário que provoca muitos efeitos colaterais e que não é eficaz na fase crônica.

Acontece que 30% dos pacientes descobrem a doença nessa etapa e, como consequência, apresentam taquicardia, dificuldade de engolir e constipação, sintomas provocados pelo aumento do tamanho de órgãos do sistema digestivo e do coração.

“Acontece um aumento muito grande, por exemplo, do esôfago. A pessoa perde a motilidade, não consegue ter as contrações e a comida para, ela fica engasgada, dificultando muito a alimentação do paciente”, explica o coordenador da pesquisa, José Clóvis do Prado Júnior.

A partir de experimentos em cobaias com a melatonina sintética, ou seja, produzida em laboratório, o estudo identificou redução do processo de morte celular e do estresse oxidativo, que é a quantidade de radicais livres em comparação com o sistema protetor em cada célula.

“O que a melatonina faz é diminuir a inflamação, a produção de radicais livres no órgão acometido. Se você tiver menos inflamação, você terá redução do tamanho e melhor funcionalidade do órgão”, diz Prado Júnior.

O pesquisador destaca, porém, que essa nova possibilidade de tratamento só deve chegar aos pacientes em seis anos. Isso porque, o resultado depende ainda de testes em seres humanos para avaliar se o uso contínuo do hormônio pode causar efeitos colaterais.

“Acima de tudo, é preciso frisar que a pesquisa não pretende estabelecer a melatonina como droga antiparasitária. Ela é uma droga que diminui a ação dos radicais livres e o estado inflamatório, contribuindo para uma melhoria geral de todos os órgãos acometidos”, conclui. (Fonte: G1)

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