Os terremotos do Equador e do Japão estão ligados?

A proximidade temporal entre o terremoto que devastou a ilha japonesa de Kyushu, na sexta-feira, e o tremor o que causou pelo menos 413 mortos no Equador, um dia depois, levou muitos a associarem os dois eventos.

E a preocupação só aumentou depois que meios de comunicação começaram a reportar outros tremores de terra que, em outras circunstâncias, teriam passado despercebido.

Um exemplo foi o tremor de magnitude 5,8 sentido perto de Tonga, na Oceania, na manhã de domingo, quando a maior parte do mundo apenas começava a saber o que havia acontecido no Equador.

Com a ajuda das redes sociais, muitos também acabaram descobrindo que nos dias anteriores foram registrados tremores em locais como Indonésia, Vanuatu e Mianmar.

Muitos começaram a questionar se o fato de os tremores terem ocorrido em um intervalo tão curto de tempo não significa que estariam relacionados.

Mas a resposta para isso é não: não há nenhuma ligação entre os dois terremotos.

Cinturão de fogo – A única coisa em comum entre os tremores do Japão e do Equador é que ambos ocorreram em abril e os dois causaram mortes.

“Japão e Equador estão tão separados um do outro. E suas placas tectônicas são diferentes”, disse à BBC Mundo Roger Musson, sismólogo do British Geological Survey.

Os dois países estão localizados sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico (ou Cinturão de Fogo do Pacífico), mas o terremoto do Equador foi causado pela subducção da placa tectônica de Nazca, que deslizou para baixo da placa da América do Sul.

O tremor no Japão, que deixou pelo menos 42 mortos, teve origem em uma falha superficial localizada em uma placa tectônica completamente diferente, a placa Euroasiática.

Do ponto de vista sismológico, os dois terremotos foram completamente diferentes. E a proximidade de tempo entre os dois terremotos foi completamente acidental.

As estatísticas também mostram que a coincidência do último fim de semana sequer foi algo extraordinário.

16 vezes por ano – De acordo com a agência geológica dos Estados Unidos (USGS na sigla em inglês), dados registrados desde 1900 até hoje mostram que há, em média, 16 grandes terremotos por ano.

Isso significa necessariamente que há mais de um terremoto por mês, apesar de o número de terremotos com magnitude 7 ou acima poder variar de forma significativa.

Em 2013, por exemplo, foram registrados 19 terremotos de magnitude 7,0 ou mais e, segundo Musson, ocorreram terremotos de grande magnitude com apenas um dia de diferença e em lugares muito distantes.

“Parece raro, mas se alguém vai a alguma festa e há outras 22 pessoas no lugar a probabilidade de encontrar duas pessoas que façam aniversário no mesmo dia é de 50%. E a possibilidade de que dois terremotos grandes ocorram no mesmo dia é de 30%”, afirmou.

Conclusões erradas – A agência geológica dos Estados Unidos sugere em sua página na web que a forma como a informação circula pela internet atualmente pode fazer com que muitas pessoas acabem tirando conclusões erradas.

“O Centro Nacional de Informação sobre Terremotos identifica aproximadamente 20 mil tremores por ano, cerca de 55 diariamente. E, como resultado da melhor comunicação e o maior interesse em desastres naturais, o público agora fica sabendo dos terremotos mais rápido do que nunca”, informou a agência.

“(Mas) Um aumento ou redução temporal na atividade sísmica é parte da flutuação natural da frequência. E nem um aumento nem uma redução a nível global é uma indicação clara de que um grande terremoto é iminente”, acrescentou a agência.

Musson afirma que o terremoto registrado em Tonga, por exemplo, que fez com que muitos pensassem estar acontecendo algo no Cinturão de Fogo do Pacífico, é, na verdade, algo muito comum.

“Não chegou nem aos 6,0 de magnitude, é o tipo de movimento que se registra uma vez a cada três dias”, afirmou o sismólogo à BBC Mundo. “Os noticiários só o mencionaram devido ao que estava acontecendo (no Japão e Equador)”.

Esperando o próximo – Tudo isso não significa que um terremoto não possa ajudar a antecipar, de certa forma, outro tremor.

Em primeiro lugar é preciso levar em conta as réplicas muito comuns depois de um grande evento sísmico – e que indicam a liberação de energia da falha ativada.

No caso do Equador, por exemplo, mais de 135 destas réplicas já tinham sido relatadas pelo Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional no meio da manhã de domingo.

E, de acordo com Musson, em alguns casos a energia liberada pelos terremotos também pode ajudar a adiantar a ocorrência de tremores em outras falhas próximas.

“Mas (a energia) só pode desencadear algo que já iria ocorrer. Quer dizer: se há alguma falha muito carregada a ponto de se ativar, pode ser que o terremoto próximo acabe dando a ela o impulso final.”

O que se pode afirmar no momento é que o terremoto do sábado pode sinalizar, sem dúvida, que os equatorianos podem ser preparar para outros grandes tremores dentro da mesma região em alguns anos.

Como explica Musson, os últimos grandes terremotos que ocorreram na região costeira do país simplesmente transferiram o estresse a diferentes zonas desta falha.

“Em 1906 houve um grande terremoto no Equador, que rompeu uns mil quilômetros da falha que afeta a zona costeira. Cerca de 40 anos depois ocorreu outro, na mesma falha, mas só rompeu a parte sul. Em 1958 ocorreu outro muito parecido, que afetou a área central. E, em 1979, houve outro que acertou o terço norte”, explicou o cientista.

“O terremoto do sábado é como uma repetição de 1979, na zona norte da falha, por isso pode ser que a sequência agora comece a se repetir na direção sul”, disse o especialista.

“Mas, para isso, serão necessárias décadas. Não vai acontecer da noite para o dia.”

Que depois de um grande terremoto pode acontecer outro tremor é algo que todos os que moram em zonas sísmicas já sabem.

A pergunta que ainda continua sem resposta é quando esse novo tremor vai ocorrer. (Fonte: Terra)

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