De Paris a Nova York, pacto sobre clima prestes a avançar

Quatro meses depois da euforia da COP21, 160 países assinarão na sexta-feira (22) na ONU o acordo de Paris sobre o clima, cuja aplicação implica que a economia mundial dê as costas às energias fósseis.

Esta cerimônia de assinatura “tem, principalmente, uma função simbólica muito forte”, mas também será a “ocasião de consolidar a dinâmica que surgiu do acordo de Paris” alcançado em 12 de dezembro passado por 195 países, considera Pascal Canfin, ex-ministro francês e diretor da WWF France.

Sessenta chefes de Estado estarão presentes em Nova York, entre eles o francês François Hollande, assim como o vice-primeiro-ministro chinês Zhang Gaoli, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e o secretário de Estado americano, John Kerry.

No total, 160 países estarão representados, segundo a ministra francesa do Meio Ambiente, Ségolène Royal.

A adoção do texto em Paris, que colocou fim a anos de complexas e trabalhosas negociações, “não quer dizer que as partes aderem automaticamente ao acordo”, lembra Eliza Northrop, do World Resources Institute.

Ainda são necessárias duas etapas: a assinatura (aberta até abril de 2017) e a ratificação em função das regras nacionais (votação pelo Parlamento, decreto, etc).

Formalmente, para entrar em vigor, o acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que representem 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

“Uma entrada em vigor rápida”, talvez em 2017 ou 2018, “permitiria enviar uma mensagem política”, afirma Laurence Tubiana, a negociadora francesa.

E o tempo urge: “estamos distantes do objetivo de uma alta limitada a 2º C” e para que exista uma possibilidade de respeitar este limite “as ações anteriores a 2020 são muito importantes”, afirma Tubiana, lembrando que o acordo de Paris foi um marco para “acelerar as transformações a uma economia sóbria em carbono”.

“Para aplicá-lo, os Estados devem agora organizar sua transição energética, que passa por uma reorientação dos investimentos”, resume Celia Gautier, da ONG Réseau Action Climat (ONG).

“Não há varinha mágica”Boas notícias para o clima: as energias renováveis registraram em 2015 um crescimento recorde de +8%, os preços baixos do petróleo freiam os investimentos caros dos grupos petrolíferos (Ártico, ‘offshore’) e o setor do carvão não vai bem.

Nos Estados Unidos, com a concorrência do gás natural, cede terreno. Na semana passada, o maior produtor americano, Peabody, se declarou em default, e 250 centrais fecharam, segundo a ONG Sierra Club.

Na China, o consumo baixou em 2014 e 2015, devido, certamente, à desaceleração da economia, mas também à vontade do governo de lutar contra a poluição do ar. Pequim anunciou recentemente a suspensão de quase todos os projetos de centrais a carvão.

No entanto, as necessidades em infraestruturas energéticas são enormes e está prevista a construção de centrais a carvão (Índia, Turquia, Indonésia, etc).

“Sabíamos que o acordo de Paris não seria uma varinha mágica que apagaria todos os projetos nefastos”, reconhece Celia Gautier.

Taxa ou mercado de carbono, fim dos subsídios às energias fósseis, normas de emissões na indústria, desenvolvimento de transportes limpos, apoio às energias renováveis e à eficácia energética, luta contra o desmatamento, mudança de práticas agrícolas: os países têm uma grande gama de setores nos quais agir para respeitar seus compromissos sobre as emissões.

O respeito por parte dos países ricos das promessas de ajuda aos países em desenvolvimento condicionará também investimentos mais “verdes”.

Por sua vez, o setor financeiro terá que desempenhar um papel chave.

Há agora “uma percepção crescente dos riscos ligados aos investimentos no longo prazo nas atividades” energéticas, afirma Alden Meyer, da ONG Union of Concerned Scientists.

O último exemplo no tema é a revolta dos acionistas de Exxonmobil para alcançar uma estimativa das consequências das políticas em favor do clima sobre as atividades do grupo. (Fonte: UOL)

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