Atropelamentos matam 475 milhões de animais por ano no país, diz Ufla

Um estudo da Universidade Federal de Lavras (Ufla-MG) estima que cerca de 475 milhões de animais silvestres morram, anualmente, atropelados nas rodovias do país. Uma ferramenta criada pela instituição monitora as ocorrências, mas este número pode ser ainda maior.

A estatística alerta para a necessidade de travessias para os animais nas estradas, que além das mortes dos bichos, pode causar graves acidentes nas rodovias. Somente na Fernão Dias, uma das principais rodovias do país, foram registrados 300 acidentes envolvendo animais em 2015.

Chamado de “Atropelômetro”, a ferramenta criada pela instituição para monitorar os atropelamentos de animais silvestres no país não para de rodar. De acordo com o pesquisador da Ufla, Alex Bager, a cada segundo, 15 animais morrem no país. A contagem é o resultado de décadas de estudos desenvolvidos com outros pesquisadores.

“Nossa estimativa se baseou em 14 artigos científicos, que a gente conseguiu estabelecer taxas de atropelamentos, e com base nisso a gente extrapolou essas taxas pra toda a malha viária brasileira.
Obviamente considerando que existem diferenças de atropelamentos em rodovias federais asfaltadas e numa estrada de terra, isso tudo foi levado em conta. Cerca de 90% dos animais atropelados devem ser pequenos vertebrados, como pequenos sapos, pequenas cobras, pequenas aves, e é por isso que a gente não percebe esse número tão grande”, explica.

Há dois anos o trabalho ganhou mais um aliado, o “Urubu Mobile”, um aplicativo que ajuda a contabilizar o número de animais atropelados. Cerca de 17 mil pessoas em todo o Brasil já baixaram a ferramenta e já estão ajudando a contabilizar o número de animais atropelados no país. Sempre que o usuário encontra um animal morto na pista, ele abre o aplicativo, tira uma foto e envia para o banco de dados.

De acordo com o Atropelômetro, por ano, cerca de 475 milhões de animais morrem nas rodovias brasileiras. Em Minas Gerais, a estimativa é de 35 milhões. Somente na Rodovia Fernão Dias, uma das principais do país, foram registrados quase 300 acidentes envolvendo animais.

Com isso, a pessoa se torna um cidadão pesquisador, já que as informações ajudam a instituição com o Governo Federal a tomar decisões de prevenção.

Cerca de 800 pessoas em todo o Brasil trabalham na identificação das fotos. Cada ponto colorido no mapa da ferramenta significa um animal silvestre morto.

Estatísticas assustadoras – De acordo com o Atropelômetro, por ano, cerca de 475 milhões de animais morrem nas rodovias brasileiras. Em Minas Gerais, a estimativa é de 35 milhões. Para a bióloga Jaara Alvarenga Cardoso Tavares, o número é assustador. “Um número muito alto que muitas vezes a gente nem tem conhece quais são essas espécies que estão morrendo nas estradas. É um prejuízo enorme pra fauna.”

No Sul de Minas, algumas das principais espécies vítimas de atropelamento são a jaguatirica, o macaco, o gambá e a capivara. O consultor de trânsito Paulo Magno Resende diz que a preocupação com a travessia segura dos animais surgiu em meados dos anos 80, e que na região, o número de passagens de fauna ainda é muito baixo.

“Essas rodovias onde tem a presença desses animais têm que ser muito bem avaliadas, porque se quiser preservar a fauna de uma forma direitinho, pra que futuras gerações conheçam esses animais, muitos outros dispositivos têm que ser instalados”, afirma.

No ano passado, na Rodovia Fernão Dias, uma das principais do país que liga São Paulo a Belo Horizonte (MG), foram registrados quase 300 acidentes envolvendo animais. Na rodovia, não há nenhuma passagem subterrânea e nem área específica para proteger os animais. A supervisora de meio ambiente da Autopista Fernão Dias afirma que um estudo já está sendo feito para a construção das passagens.

“O estudo identifica os locais críticos de atropelamentos pra verificar quais são as ações mais adequadas pra cada um desses locais”, explica Juliana Sampaio. Ainda segundo ela, a implantação das passagens ainda precisa de aprovação do Ibama. (Fonte: G1)