Livro destaca biodiversidade em paisagens agrícolas do Sudeste

Com uma economia fortemente baseada na cana-de-açúcar, em plantações de eucalipto e na pecuária, o Estado de São Paulo tem paisagens naturais continuamente transformadas pelo uso intenso do solo, o que altera também o habitat natural de diversas espécies nativas.

O papel da ciência no equilíbrio dessa relação é abordado em Biodiversity in Agricultural Landscapes of Southeastern Brazil, publicado pela editora alemã De Gruyter. O livro reúne textos de pesquisadores de diversas instituições, que abordam as dimensões humanas e biológicas relativas à conservação da biodiversidade em paisagens alteradas do Sudeste do Brasil, contemplando fauna e flora.

“O que antes era visto como um conflito, a relação entre produção e conservação, hoje se apresenta como uma interdependência. Mas, para que essa relação ocorra de maneira equilibrada, é preciso conhecer em profundidade a biodiversidade dessas paisagens agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura e também para a conservação das espécies”, disse Luciano Martins Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do programa BIOTA-FAPESP.

Verdade, que é um dos editores do livro, conta que muito do conhecimento apresentado na obra é derivado das pesquisas realizadas no âmbito do BIOTA, cujo objetivo é conhecer, mapear e analisar a biodiversidade do Estado de São Paulo, incluindo a fauna, a flora e os microrganismos, avaliando as possibilidades de exploração sustentável de plantas ou de animais com potencial econômico e subsidiando a formulação de políticas de conservação.

“Graças ao conhecimento acumulado ao longo de inúmeras dessas pesquisas foi possível apresentar uma revisão histórica dos processos que mudaram a paisagem no Estado de São Paulo e que seguem provocando importantes transformações”, disse.

A partir desse panorama, os autores discutem, já no primeiro capítulo, os principais elementos que caracterizam uma área bem preservada, tratando dos diferentes tipos de pressão que os hábitats sofrem e dos processos ecológicos resultantes delas, além do papel das populações locais em iniciativas de conservação. São abordados a história da agricultura no estado, os impactos agrícolas na vida selvagem e perspectivas para o futuro do setor, entre outros temas.

Nos capítulos seguintes é travada uma discussão sobre a atenção dada por pesquisadores às influências da atividade humana sobre as espécies selvagens e seus hábitats, como os impactos da construção de estradas.

“A maioria dos biomas tem sido intensamente modificada, mas alguns ainda são capazes de preservar uma biodiversidade considerável. O caminho para um equilíbrio não deve se restringir à biologia, mas também contemplar todas as dimensões humanas envolvidas para que se possa alcançar o ideal de conservação da biodiversidade em paisagens agrícolas”, disse Verdade.

Também é abordada a biodiversidade para além das plantas e dos animais, contemplando os microrganismos do solo. O capítulo 5, por exemplo, trata dos mecanismos de avaliação da diversidade e da estrutura das comunidades microbianas do solo por meio de ferramentas moleculares.

Também são apresentadas tecnologias de sequenciamento, técnicas biogeoquímicas para avaliação da qualidade da fertilidade do solo e aspectos relacionados à biomassa microbiana.

Os autores apresentam ainda estudos de caso sobre a relação entre a diversidade de aves e o uso da terra em paisagens agrícolas, os padrões alimentares de macacos bugios em uma floresta urbana, a geometria de determinadas paisagens e os padrões de queda de folhas em uma região do Sudeste brasileiro.

O livro está disponível na íntegra, em acesso aberto e para download gratuito, no site da editora. Também é possível comprar exemplares impressos. (Fonte: Agência FAPESP)

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