Após teste, Piracicaba amplia uso de mosquito Aedes aegypti transgênico

Um ano após o início da liberação dos mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados em Piracicaba (SP), como teste para combate ao transmissor da dengue, zika e chikungunya, a empresa Oxitec e a Prefeitura anunciaram na tarde desta terça-feira (31) a expansão do projeto para a região central da cidade por dois anos e a continuação da iniciativa por mais um ano no Cecap/Eldorado. A ação vai custar R$ 3,7 milhões à administração municipal.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Piracicaba, de julho de 2014 até o mesmo mês de 2015, ou seja, antes da liberação dos mosquitos no Cecap, foram registrados 133 casos de dengue na região. Já no período posterior à soltura do “Aedes do bem” (nome comercial), de julho do ano passado até maio de 2016, foram sete registros da doença na mesma área, informou a pasta. A redução no número de infectados, segundo os dados da Saúde, foi de 94%.

“Com essa extensão (no Cecap) e a expansão para a região central, o ‘Aedes do bem’ ajuda a proteger a vida de ao menos 65 mil habitantes de Piracicaba”, afirmou o diretor da Oxitec do Brasil, Glen Slade. As liberações dos mosquitos transgênicos nos bairros centrais estão previstas para começar em julho deste ano.

O São Judas, com cerca de 3,6 mil moradores, será o primeiro a receber os insetos modificados. Serão de 100 a 200 pessoas por habitante a cada semana. Eles serão soltos em outros dez bairros Centro, Cidade Alta, Cidade Jardim, Clube de Campo, Jardim Monumento, Nhô Quim, Nova Piracicaba, Parque da Rua do Porto, São Dimas e Vila Rezende.

Como funciona – O mosquito produzido em laboratório pela empresa possui uma alteração genética que torna sua prole estéril. O macho de DNA alterado, quando liberado, busca uma fêmea para fecundá-la e produz um ovo infértil, barrando a oportunidade de machos selvagens se reproduzirem.

Os mosquitos, segundo a empresa, não contribuem para a transmissão da dengue e outras doenças, porque só a fêmea do Aedes aegypti pica. A empresa obteve aval da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para operar, porque a metodologia foi considerada segura.

Em abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a criação de um marco regulatório capaz de avaliar o tema para conceder um registro especial e temporário para o mosquito transgênico produzido pela Oxitec, o OX513A.

O diretor da empresa informou que essa autorização temporária para comercialização ainda não saiu e que o contrato de R$ 3,7 milhões com a Prefeitura de Piracicaba ainda é no formato de projeto experimental de pesquisa. “Muito semelhante à primeira fase já desenvolvida na cidade”, afirmou Slade.

O que a Prefeitura espera – Para o prefeito Gabriel Ferrato, o Aedes transgênico é uma estratégia fundamental no combate à dengue, zika e chikungunya.

“Piracicaba está investindo na expansão de uma solução que já mostrou ser capaz de controlar um grave problema de saúde pública. E o melhor é que estamos fazendo isso com uma tecnologia inovadora, limpa, amiga do ambiente e sustentável”, afirmou.

“É mais um passo que damos na direção de tornar Piracicaba a primeira cidade do mundo a se livrar desse mosquito que tanto mal tem causado a milhões de pessoas em todo o mundo”, disse também em nota o secretário municipal de Saúde de Piracicaba, Pedro Mello, sobre o novo contrato.

Nos próximos dias, funcionários da Oxitec e a Prefeitura vão começar um trabalho de orientação e esclarecimento de dúvidas da população da área central sobre os mosquitos transgênicos.

Fábrica de mosquitos – A Oxitec informou que investe na construção da primeira fábrica de “Aedes aegypti do Bem” de grande porte no Brasil em Piracicaba. A capacidade planejada da unidade é de 60 milhões de unidades do inseto por semana, o suficiente para cobrir uma área de até 1,5 milhão de habitantes, segundo a empresa. O valor que será investido na nova fábrica não será divulgado por enquanto, disse Slade. (Fonte: G1)

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