Nova espécie de tarântula é batizada em homenagem a García Márquez

Uma nova espécie de tarântula, encontrada perto de Aracataca, o povoado natal do escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido em 2014, foi batizada em homenagem ao Nobel de Literatura, informou nesta terça-feira a Universidade Nacional (UN) da Colômbia.

“A espécie Kankuamo marquezi foi encontrada na zona alta da Serra Nevada de Santa Marta, perto de Aracataca, e pertence a uma espécie e gênero nunca antes documentado”, afirma a UN em um comunicado.

O grupo de cientistas uruguaios e colombianos, liderados por Carlos Perefán, da Universidade da República do Uruguai e autor principal da pesquisa, encontrou a nova espécie na zona alta da montanha, a 2.200 metros de altura, em um ambiente chuvoso e frio.

A Kankuamo marquezi, chamada assim por García Márquez e pelo grupo indígena dos kankuamos – que habita essa zona do Caribe da Colômbia e cuja cultura está em risco de extinção – tem um mecanismo de defesa conhecido como “pelos urticantes”.

Várias tarântulas americanas dispõem dessa arma de defesa, que consiste em pelos finos e farpados do abdome que elas lançam nos olhos ou mucosas dos seus predadores e na pele das pessoas quando se sentem ameaçadas, provocando uma forte irritação.

Esse mecanismo foi essencial para que os especialistas concluíssem que se tratava de uma espécie ainda não catalogada.

No caso da nova espécie, foi identificado um tipo diferente de pelo urticante, que é ativado somente por contato direto, informou a UN no comunicado.

“Soubemos que pertence a um novo gênero, porque tem traços morfológicos muito particulares”, disse William Galvis, pesquisador do grupo de Aracnologia do Instituto de Ciências Naturais da UN, citado no texto.

A tarântula Kankuamo marquezi tem um corpo de três centímetros e patas do mesmo comprimento, de modo que “é percebida como um animal de aproximadamente nove centímetros”.

Além da proximidade do povoado natal de García Márquez, a admiração dos cientistas que participaram da descoberta pela obra do Nobel colombiano também pesou na hora de escolher o nome da nova espécie, que apesar do seu mecanismo de defesa e aspecto peludo “não é agressiva”, segundo a UN. (Fonte: UOL)

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