Parque da Pedra Branca inaugura bromeliário e nova trilha com abelhas nativas

O Parque Estadual da Pedra Branca, em Vargem Grande, zona oeste da capital fluminense, inaugurou na sexta-feira (8) um novo bromeliário e uma trilha, além de formalizar a parceria com a comunidade quilombola local Cafundá Astrogilda.

O novo bromeliário substitui o antigo, construído em 2003, e reúne várias espécies, entre elas a bromélia Neoregelia camorian, que é endêmica do parque, ou seja, não é encontrada em nenhuma outra parte do planeta, segundo o chefe da unidade, Andrei Veiga.

O espaço será destinado à pesquisa científica, à educação e à valorização do trabalho com comunidades localizadas no entorno do parque. “É também uma forma de mostrar às pessoas a bromélia como valor ecossistêmico, porque ela é considerada um microecossitema que tem a penetração de luz que gera a formação de nutrientes em seu interior e atrai insetos de diversos tipos, inclusive mosquitos que, por sua vez, atraem predadores”, explicou Veiga.

Segundo ele, essa capacidade das bromélias preserva o equilíbrio de cada espécie que frequenta o lugar em que elas estão. “A gente conseguiu com isso desmistificar a bromélia como propagadora do Aedes aegypti, causador da dengue”. O mosquito, segundo Veiga, está associado hoje a ambientes urbanos e à água parada, mas não à bromélia porque ela é um ecossistema vivo. Quando um mosquito começar a se desenvolver na água armazenada pela planta, os predadores naturais impedirão que ele cresça.

Abelhas nativas – O parque também inaugurou na sexta-feira a Trilha do Mel, que sai do bromeliário, faz um circuito de cerca de 300 metros e termina no Recanto do Sonhador, com cerca de 30 caixas de colmeias ornamentais de abelhas espalhadas pelo caminho.

O percurso recebeu esse nome porque o parque tem catalogadas 14 espécies de abelhas nativas sem ferrão, que produzem mel e são importantes também para o ecossistema. O número faz do Parque da Pedra Branca umas das unidades de conservação com maior diversidade biológica de abelhas nativas de Mata Atlântica, segundo o chefe da unidade.

Placas distribuídas pela trilha informam aos visitantes o que é polinização, mostram a estrutura organizacional da abelha e sua importância ecossistêmica, entre outros dados. “Ela consegue polinizar mais ou menos 80% de espécies da Mata Atlântica”, destacou Veiga.

O secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, disse que a ideia é continuar fazendo melhorias no parque para atrair cada vez mais visitantes, com foco na educação ambiental.

Quilombola
– Refirma com o apoio de moradores da comunidade quilombola Cafundá Astrogilda, uma guarita do Parque Estadual da Pedra Branca foi reinaugurada nesta sexta-feira. A comunidade existe há mais de 200 anos, mas só foi reconhecida oficialmente em 2014. O nome é uma homenagem à matriarca do lugar, dona Astrogilda, e referência à expressão Cafundá (variação da palavra cafundó) que quer dizer lugar ermo, distante.

Os quilombolas da comunidade praticam a agricultura familiar, com produção de alimentos, plantas medicinais e criação de animais.

Segundo o secretário, a reativação da guarita marca uma mudança de postura do Poder Público em relação aos quilombolas. “Com essa postura de diálogo, com o reconhecimento da comunidade quilombola, com aquela história cultural riquíssima, nós estamos hoje os reconhecendo de fato como parceiros, para trabalhar em conjunto, ajudar a gente a proteger. Isso é sustentabilidade”, disse.

O parque – O Parque Estadual da Pedra Branca recebe cerca de 3 mil a 4 mil visitantes por mês. No verão, esse número sobe para mais de 15 mil visitantes por mês, atraídos pelas cachoeiras que existem no local.

Considerado uma das maiores florestas urbanas do mundo, o parque representa 10% do município do Rio de Janeiro e abrange 17 bairros da capital fluminense. A unidade de conservação abriga o ponto mais alto do município, o Pico da Pedra Branca, com 1.024 metros de altitude. (Fonte: Agência Brasil)

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