Projeto de usina prevê alagar área de 7 mil campos ao aumentar reservatório

A Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO) começou a discutir o projeto de lei que visa aumentar o reservatório da Usina Santo Antônia em 20%. A proposta, segundo informações obtidas pela Rede Amazônica, prevê que o nível da água no lago aumente em 80 centímetros, o que equivale ao alagamento de 75 Km², ou seja, mais de 7 mil campos de futebol. Se for aprovado, o nível do reservatório no Rio Madeira também vai atingir quatro unidades de conservação, em Porto Velho.

Segundo a hidrelétrica, a necessidade do aumento do reservatório precisa ser feita para o funcionamento de quatro novas turbinas, que já foram instaladas. Atualmente existem 44 turbinas em operação, mas para que as demais passem a gerar energia elétrica, o nível do lago precisa ser ampliado.

O projeto do reservatório tem causado discussão entre famílias que moram perto do Rio Madeira e no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Em entrevista ao Jornal de Rondônia, o coordenador do movimento, João Dutra, teme a segurança da barragem com a ampliação do reservatório de água em mais 20%.

“A Santo Antônio quer fazer isso sem cumprir com as medidas de segurança da Agência Nacional de Águas (Ana) e sem apresentar para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o plano de segurança de barragens, como o que ocorreu em Mariana”, diz.

O diretor de Operações da Santo Antônio Energia, Dimas Maitinger, negou as informações do movimento do MAB. “A discussão dessas seis unidades geradoras começou em 2011. Passou pela análise da Aneel, Ana e Ibama, que aprovaram previamente e deu condições de comprar esses equipamentos e instalar, então não existe nenhum risco em questão da segurança da barragem”, finaliza.

A autorização para ampliação do reservatório depende da aprovação do projeto de lei que foi enviado à ALE-RO. Segundo apurado pela Rede Amazônica, quatro unidades de conservação devem ser atingidas com o aumento de 80 centímetros do nível da água, o que prevê um alagamento total de 75 quilômetros quadrados acima da barragem da Santo Antônio no Rio Madeira.

Segundo o diretor de operações da usina, o impacto deve ser mínimo na área a ser inundada, pois atualmente existem 70 propriedades na região e a maioria delas já recebeu indenização. Procurada, a Agência Nacional de Águas informou que a hidrelétrica tem até dezembro deste ano para apresentar o plano de realocação dos moradores atingidos.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou as informações sobre a ampliação do reservatório, mas ninguém quis gravar entrevista. O funcionamento das quatro novas turbinas da Santo Antônio também dependem da autorização do Ibama.

A reportagem entrou em contato com a Aneel, mas até o fechamento da reportagem não obteve retorno sobre o projeto.

A Hidrelétrica Santo Antônio atualmente é a quarta maior geradora hídrica do país e é considerada a 1º em sustentabilidade, conforme avaliação da International Hydropower Association (IHA).

Protestos – No dia 13 de agosto a Hidrelétrica Santo Antônio e o Ibama tentaram realizam uma audiência pública sobre o aumento do reservatório do rio, mas o encontro acabou sendo cancelado por causa de protestos de moradores contrários ao projeto.

Na época, os atingidos pela construção da usina escrevem nas faixas: ‘Aumento do lago não!’, ‘Bairro Triângulo sofre com os impactos ambientais desde o início da construção das usinas’.

Rio Madeira com baixo nível
O Rio Madeira vem registrando desde agosto o nível mais baixo dos últimos anos. No dia 4 de agosto, por exemplo, as réguas marcaram 2,97 metros, a menor média em 48 anos, segundo a Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) de Porto Velho.

Segundo o engenheiro hidrólogo Franco Buffon da CPRM, desde o último dia 2 de agosto, o nível apresentou marcas abaixo do ano de 1968, ano da seca histórica.

“O Rio Madeira apresentou a média mais baixa dos últimos 48 anos, esse nível mínimo deveria ser visto só em outubro ou novembro. Também estamos a 40 cm abaixo da seca de 2005. Pode ser que de um repiquete, caso chova, porém é esperado que o Rio continue baixando”, disse ao G1 na época. (Fonte: G1)

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