MMA estimula inovação na gestão de resíduos

Experiências bem-sucedidas, envolvendo a participação de comunidades na destinação dos resíduos sólidos no país, foram apresentadas na quinta-feira (29), em Brasília, pelo Ministério do Meio Ambiente, como resultado do programa de cooperação Diálogos Setoriais entre o Brasil e a Comunidade Europeia.

Ao abrir o workshop Ferramentas inovadoras para a disseminação de soluções em gestão de resíduos sólidos, a diretora de Ambiente Urbano do MMA, Zilda Veloso, afirmou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, passados seis anos de sua vigência, ainda enfrenta grandes desafios para ser implementada.

Ela defendeu a necessidade de multiplicar ações, como as que foram incluídas no projeto Diálogos Setoriais (EU-Brasil), de ações integradas e inovadoras, e para isso adiantou que o MMA irá usar as ferramentas digitais para divulgar amplamente os resultados obtidos até agora nos projetos selecionadas. Foram duas iniciativas na cidade de São Paulo (SP), uma em Umuarama (PR) e outra em Florianópolis (SC) de destinação de resíduos orgânicos e secos.

Os Diálogos Setoriais são temas estratégicos colocados na agenda comum de discussão. Após identificados e selecionados em alto nível político, têm acompanhamento em reuniões da Comissão Mista Brasil-Comunidade Europeia. Os diálogos visam o intercâmbio de conhecimentos e experiências em áreas de interesse mútuo.

Seleção - Um dos responsáveis pelo projeto, o consultor Guilherme Turri, explicou que a seleção foi feita a partir de uma ampla pesquisa nas redes sociais e no MMA. Em Santa Catarina, foi escolhido projeto financiado pela Fundação Banco do Brasil conhecido como “A revolução do Baldinho”, desenvolvido no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, certificado pela Fundação Banco do Brasil como tecnologia social.

“Trata-se de uma área com problemas de violência e que enfrentava a invasão de ratos, atraídos pela presença do lixo espalhado, que ameaçava a saúde e a segurança da comunidade”, disse o consultor. A proposta de um projeto de compostagem para “acabar com o alimento dos ratos” ganhou a adesão da comunidade.

Cada família ganhou um balde para colocar resíduos orgânicos e foi estabelecido um sistema de coleta. O material é levado a uma escola para o manejo da compostagem. Metade do produto obtido fica com a comunidade e a outra metade é vendida. “Sentimos a importância da liderança feminina nessa iniciativa que envolve 100 famílias”, afirmou Guilherme Turri.

O consultor defendeu que os programas envolvendo resíduos precisam ser permanentes. “Os projetos não podem desaparecer com a troca de governo, ou de prioridades”, disse.

Feira de troca – Outra ação incluída no projeto Diálogos Setoriais está sendo desenvolvida pela prefeitura de Umuarama (PR) em uma comunidade do município. Os participantes fazem a coleta de produtos recicláveis que são trocados por alimentos numa feira realizada a cada 15 dias. Dependendo do valor dos produtos apresentados na troca, as famílias podem compor uma cesta no chamado Banco de Alimentos.

Os consultores elogiam o diferencial do projeto, que permite às pessoas a escolha dos alimentos que desejam em sua cesta. Os resultados apontam um total de 20 toneladas ao mês de produtos recicláveis coletados pelas 200 famílias envolvidas. O trabalho eliminou focos do Aedes aegypti.

Em São Paulo, são dois projetos incluídos na cooperação Brasil-União Europeia. O projeto Lixo Vale, promovido pela prefeitura, despertou o interesse de milhares de pessoas. Dos dois mil selecionados, seis meses depois, 1,5 mil continuam atuando na compostagem e hoje existem sete mil membros do grupo no Facebook. Os consultores destacaram que um terço dos participantes mora em apartamentos.

Ainda na capital paulista, foi selecionado o programa PimpMyCarroça, com 14 catadores. O objetivo da ação é chamar a atenção para o papel dos carroceiros que coletam 90% de tudo o que é reciclado no país. A iniciativa, já adotada em outras cidades, prevê campanhas para melhorar a situação desse trabalhador. Ele recebe espelhos retrovisores e faixas refletivas para deixar a carroça mais segura, capa de chuva e luvas, além de uma quantia em dinheiro para gastar com outras necessidades do PIMPEX (alimentação, material de pintura da carroça com mensagens). No começo a iniciativa envolveu carroceiros e grafiteiros. (Fonte: MMA)

Esta entrada foi escrita emClipping e tags
Ambientebrasil - Notícias located at 511/67 Huynh Van Banh , Ho Chi Minh, VN . Reviewed by 43 customers rated: 4 / 5