Quenianos exigem paralisação de linha de trem que cruzará Parque Nacional

Ecologistas, ativistas e residentes protestaram nesta segunda-feira (17) nas ruas de Nairóbi e diante da embaixada da China para pedir a paralisação de uma linha de ferrovia financiada pela potência asiática que atravessará o Parque Nacional da capital queniana.

O governo da China, através de um empréstimo concedido ao Executivo queniano, vai executar a segunda fase da Standard Gauge Railway (SGR, por sua sigla em inglês), que cruzará o único parque natural do mundo levantado no seio de uma cidade.

Um plataforma integrada por organizações ambientalistas, povos afetados e residentes entregou hoje um pedido perante a embaixada da China em Nairóbi para pedir a paralisação das obras.

Sob lemas como “a construção do SRG nos matará”, “salvem nosso orgulho, nosso legado” e “salvem nossos animais”, exigiram às autoridades quenianas e chinesas uma alternativa ao projeto ferroviário.

Os ecologistas rejeitam todas as soluções propostas para desenvolver este trecho, que dividirá em dois o Parque Nacional de Nairóbi, um dos emblemas turísticos do país.

Se por um lado foi proposta a construção de um viaduto elevado, que os ativistas acreditam que poderia alterar de forma permanente o ecossistema e biodiversidade do parque.

Por outro, surge a opção de um túnel para a ferrovia, que segundo os organizadores da marcha poderia ter graves consequências em uma zona de grande atividade sísmica como o Vale do Rift.

“Estas duas construções caras e perigosas não serão necessárias se for eleita a rota alternativa proposta”, asseguraram.

Enquanto uma campanha recolhe assinaturas para pedir ao presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, o desvio da ferrovia, uma ordem cautelar do Tribunal Nacional Meio Ambiental paralisou as obras até que haja uma sentença firme do Tribunal Supremo, perante o perigo de desastre ambiental.

Apesar disso, as duas companhias estatais chinesas encarregadas de desenvolver o projeto continuam introduzindo maquinaria e preparando o terreno, financiadas com um crédito dos bancos chineses ao governo queniano.

Ativistas denunciam, além disso, que esta infraestrutura terá uma carga econômica para os cofres quenianas, já que terão que devolver um empréstimo para uma ferrovia que funcionará com diesel, uma “tecnologia obsoleta” que, segundo o próprio Banco Mundial, não é “economicamente factível”.

O Parque Nacional de Nairóbi é visitado por milhões de pessoas da região e o estrangeiro a cada ano e lar de espécies ameaçadas como o rinoceronte negro.

A reserva, criada em 1946, é o legado do povo masai, que entregou suas terras a favor da proteção da fauna e flora deste paisagem, ameaçada agora por um dos principais projetos de infraestruturas do país. (Fonte: Terra)

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