Dispositivo permite que macacos paralisados voltem a andar

Um novo dispositivo permitiu que dois macacos recuperassem o uso de suas pernas paralisadas ao transmitir sinais cerebrais sem fio, contornando suas lesões na medula espinhal, segundo um estudo publicado na quarta-feira (9) pela revista científica “Nature”.

O dispositivo implantável, chamado interface neuroprotética, foi desenvolvido por uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, e poderá ser testado para tratar casos de paralisia em seres humanos.

“Pela primeira vez, posso imaginar um paciente completamente paralisado capaz de mover suas pernas através dessa interface cérebro-coluna”, disse Jocelyne Bloch, neurocirurgiã do Hospital Universitário de Lausanne, em um comunicado da EPFL à imprensa.

Conector entre cérebro e coluna – A interface concebida na EPFL consiste em um conector de múltiplos componentes entre o cérebro e a coluna, que é implantado e decodifica sinais da parte do córtex motor responsável pelos movimentos das pernas.

Em seguida, retransmite esses sinais em tempo real para a região lombar da coluna vertebral que ativa os músculos das pernas para andar.

Nos dois casos de testes com macacos, a interface foi capaz de retransmitir sem fios as instruções de movimento, contornando a área danificada da coluna que causava a paralisia, disse a EPFL.

Um dos macacos recuperou parcialmente o uso da perna paralisada na primeira semana após a implantação do dispositivo, enquanto o outro precisou de duas semanas para conseguir caminhar, disse a “Nature” em uma nota de imprensa.

Feito inédito – A revista observou que a tecnologia implantável que decodifica sinais cerebrais permitiu anteriormente que um paciente humano movesse uma mão protética ou robótica. Mas a utilização de uma interface neuroprotética para ativar um músculo complexo da perna em um primata foi um feito inédito, acrescentou a “Nature”.

O cientista líder do projeto inovador, Gregoire Courtine, da EPFL, alertou que “pode levar vários anos até que todos os componentes desta intervenção possam ser testados em pessoas”.

Segundo o cientista Andrew Jackson, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, citado pela “Nature”, é possível que os primeiros ensaios clínicos com humanos possam ser realizados “antes do final desta década”.

A ideia da interface foi concebida na Escola Politécnica Federal de Lausana e desenvolvida com a participação internacional da Universidade Brown, no estado americano de Rhode Island, do instituto alemão Frauenhofer ICT-IMM e da empresa de dispositivos médicos Medtronic, com sede em Dublin, entre outros. (Fonte: G1)

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