Sem verba, governo do estado quer vender Horto Florestal de Piracicaba/SP

A Estação Experimental de Piracicaba (SP), no interior paulista, conhecida como Horto Florestal de Tupi está à venda. Sem verba, o governo de São Paulo publicou chamada pública de concessão de uso ou aquisição de áreas no Diário Oficial do estado. Com a negociação das unidades, o governo tem como objetivo angariar recursos para enfrentar a crise financeira e fazer caixa. Pesquisadores e ativistas repudiam a medida.

Junto a outras 33 áreas de florestas e de produção de madeira, o local deve ser comercializado ainda em 2017. Fundado em setembro de 1922, o Horto Florestal de Tupi tem 198 hectares de ar puro e muito verde, que cumpre importante função socioambiental e educacional na região.

De acordo com publicação no Diário Oficial do Estado do dia 17 de janeiro, foi aberto um chamamento público. “A medida visa a prospecção de interessados em concessão de uso ou aquisição de áreas, no todo ou em parte, para recebimento de propostas de concessão de uso ou venda”, menciona trecho do documento.

Criadas originalmente para pesquisa e produção de madeireira de espéceis de eucalipto e pinus, assim como árvores nativas, o custo de manutenção é maior do que o ganho obtido com a venda de madeira.

Em 2016, os custos foram e torno de R$ 58 milhões, mas o retorno não chegou a R$ 10 milhões. Caso as 34 áreas sejam vendidas, a expectativa é receber R$ 700 milhões.

‘Atitude absurda’ – Para o coordenador da OCA – Laboratório de Educação e Política Ambiental da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Marcos Sorrentino, é um absurdo destinar uma área pública que cumpre ação socioambiental e educacional para uma iniciativa privada.

Sorrentino acredita que a justificativa econômica não está de acordo com a realidade do local. “O diretor do Instituto Florestal, Edgar Fernando de Luca, é de Piracicaba e não deveria aceitar a venda dos espaços”, ressaltou.

“O Horto de Tupi por si só tem condições de gerar melhorias nas condições socioambientais na região de Piracicaba e, desta forma, pagar o seu sustento e também investimentos futuros”, opinou.

Ainda de acordo com o Sorrentino, que é professor da Esalq e atuou nos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação, o espaço tem fundamental importância na geração de conhecimentos da agrossilvicultura. “O conhecimento gerado, incrementado e não eliminado pode dar retorno econômico maior para as cidades”, disse.

“É uma oportunidade de transição de um município baseado na monocultura. É uma forma de gerar renda. Há pesquisas florestais capazes de serem transportadas para propriedades agrícolas que atualmente não se sustentam com a monocultura do gado, pasto ou da cana-de açúcar”, acrescentou.

Sorrentino diz também que há quase um ano instituições de ensino, associações e os moradores da região de Piracicaba estudam a criação de uma entidade para construir a formação dos jovens, dentro do Horto Florestal de Tupi.

Decisão equivocada – Também contrário a ação, o gestor ambiental e coordenador de políticas públicas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Renato Morgado, diz que a decisão do governo do estado é equivocada. “O horto tem árvores nativas e um espaço de conservação ambiental que ajuda no microclima da região. A explicação dada pelo governo é a questão econômica, mas acredito que existem outros meios para reverter a situação”, explicou.

Para o especialista, em momentos de crise é necessário criatividade. “Os benefícios que o espaço proporciona é gigantesco. Seria importante chamar a sociedade para discutir a situação e encontrar meios para reverter a questão financeira”, afirmou.

Prefeitura – O prefeito Barjas Negri (PSDB lamentou a possibilidade de venda e disse reconhecer a importância do Horto para a preservação ambiental da cidade. “Seria uma perda irreparável. Na próxima oportunidade que estiver com o governador vou conversar com ele sobre o assunto para tentar a manutenção dessa área para a cidade”.

Estado – A Secretaria do Estado do Meio Ambiente afirmou, em nota oficial, que fez uma consulta ao setor privado para que ele estabeleça e indique quais áreas tem interesse, por qual valor e em qual modalidade. Somente a partir da formalização das manifestações de interesse por parte do setor privado, é que será possível identificar quais são as áreas passíveis de venda ou de concessão. (Fonte: G1)

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