Micro-organismos do deserto do Atacama ajudam na busca de vida marciana

Cientistas descobriram micro-organismos sob o solo do deserto do Atacama, o mais árido do mundo, cujas características ajudarão na busca de vida em Marte – informou um dos pesquisadores nesta terça-feira (21).

Os cientistas realizaram escavações de até um metro de profundidade com o objetivo de encontrar algum tipo de vida em uma zona do deserto do Atacama com condições similares às existentes no Planeta Vermelho.

No local da descoberta, 1.800 km ao norte de Santiago, a umidade é praticamente nula, e a salinidade faz que a vida seja quase inviável, o que abre a possibilidade da existência desse mesmo tipo de bactéria em Marte.

“Se encontramos espécies como essas no deserto do Atacama, poderíamos encontrá-las em Marte, já que existem as mesmas características”, afirmou em uma coletiva de imprensa o astrobiólogo chileno Armando Azúa, que dirigiu a equipe que descobriu os micro-organismos em 2015.

Essas bactérias suportam a falta de água e luz, subsistindo graças ao consumo de compostos químicos, e também poderiam sobreviver à intensa radiação ultravioleta que a superfície de Marte recebe do Sol.

As pesquisas sobre essas bactérias chamaram a atenção da Agência Espacial Americana (Nasa), que enviará, em março, uma equipe de cientistas para estudar esses seres, assim como a zona onde foram descobertos, de acordo com Azúa.

O pesquisador chileno fez uma varredura em várias zonas do deserto do Atacama e descobriu fungos, células e micro-organismos que poderiam perfeitamente ser encontrados em Marte em condições parecidas, e que também poderiam ajudar no estudo do início da vida na Terra.

“Não é descabido pensar que, frente a tanta semelhança de condições, uma célula como essa tenha chegado à Terra de Marte e, então, nós seríamos os marcianos”, afirmou Azúa.

A capacidade de sobrevivência dessas células na falta de água também é estudada para determinar, se elas poderiam ser uma alternativa para a agricultura diante dos efeitos das mudanças climáticas e do avanço das zonas áridas no planeta. (Fonte: UOL)

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