Meteorologista aponta ‘tempestade severa’ em São Francisco de Paula/RS

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) analisa imagens de satélites, fotografias e ainda depoimentos de moradores de São Francisco de Paula, na serra gaúcha, para determinar qual fenômeno atingiu a cidade de pouco mais de 21,5 mil habitantes no último domingo (12).

Ao todo, 500 casas foram afetadas e cerca de 1,6 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Um jovem de 24 anos morreu e cerca de 70 pessoas ficaram feridas. As informações são da Defesa Civil.

“Ainda estamos estudando o fenômeno. Não temos a conclusão, mas uma coisa é certa: houve uma tempestade severa provocada por uma supercélula que pode acarretar tanto um tornado quanto uma microexplosão”, explica o meteorologista Rogério Rezende.

A microexplosão é comparada pelo profissional com a queda de uma bexiga de água no chão. “É um fenômeno de dentro para fora. Uma implosão de uma nuvem”, diz.

“Informações que nos chegaram é que ocorreu destruição por tornado e por microexplosão. O tornado faz destruição em linha reta e é o que verificamos em algumas imagens. Entretanto, há áreas em que as árvores foram partidas ao meio, mais característico de microexplosão”, completa.

Rezende explica que a estação meteorológica mais próxima fica em Canela, distante 24,6 quilômetros, o que dificulta analisar o que teria acontecido. Meteorologistas do Inmet já tiveram acesso a imagens de satélite e devem emitir até esta terça-feira (14) uma nota técnica anunciando o que pode ter ocorrido na cidade.

Prefeitura vai decretar calamidade – A Prefeitura de São Francisco de Paula informou que vai decretar estado de calamidade pública. No total, 1,6 mil pessoas foram afetadas, e 500 residências ficaram destruídas.

Pelo menos seis bairros foram atingidos pela tempestade. Conforme relato dos moradores, o temporal durou poucos minutos, mas os momentos foram de terror.

“Foi bem horrível. Acordei com o vento, foram três sopros. O primeiro foi fraco, no segundo já estralou a casa toda, e no terceiro veio aquele tufão e caiu tudo. Eu me joguei no chão. Isso em um intervalo de uns 12 segundos”, conta ao G1 o professor Paulo Oberdan Gomes da Rosa, de 39 anos.

O secretário de Desenvolvimento Social da cidade, Arquimedes Aguiar, afirma que não há desaparecidos. “Entramos em contato com famílias, com os desabrigados e as pessoas afetadas, e também com o hospital”, salienta.

Meteorologistas ainda não sabem dizer qual fenômeno atingiu a cidade. Conforme o relato de moradores, a ventania chegou em círculos. Equipes da Defesa Civil do município trabalharam para amenizar os efeitos dos estragos.

Cidade precisa de doações – Conforme o secretário Arquimedes Aguiar, são necessárias doações de alimentos e, principalmente, de material de construção. “Para que consigamos reconstruir as partes mais afetadas”, afirmou.

Ele diz ainda que as autoridades têm se reunido para “buscar recursos estaduais e federais, e ter a compreensão dos órgãos públicos para conseguir remeter esses recursos e fazer a reconstrução do município, principalmente das casas afetadas”.

Indagado sobre o que teria atingido a cidade, Aguiar diz que ainda não se sabe ao certo se o município foi atingido por um tornado ou por um vendaval. “Acreditamos que tenha sido um tornado pela velocidade, acredito que a velocidade do vento passou de 150 km/h. Estamos com a Defesa Civil do estado e municipal, e vamos fazer o levantamento técnico a respeito da situação das residências para analisar o fenômeno, se realmente foi um tornado”.

O prefeito de São Francisco de Paula, Marcos Aguzzoli, lembrou em entrevista à rádio Gaúcha que a cidade foi atingida por fenômeno parecido em 2003. “Mas tivemos sorte na época porque pegou 500 metros para o lado e pegou um cemitério e um campo. Desta vez pegou o Centro e mais de quatro bairros, além do Distrito Industrial, e foi arrastando o que tinha pela frente”, comentou.

O chefe do Executivo municipal salientou a necessidade de pessoas para ajudar na reconstrução das casas. “Além da força de trabalho, vamos precisar de material de construção, isso é inevitável. Precisamos de pedras, cimento, madeira, vaso… É um recomeço para muitas famílias”.

O prefeito estima que a reconstrução da cidade deve levar ao menos seis meses. A prefeitura estuda a abertura de contas para a realização de doação em dinheiro.

Prefeituras da região organizam campanhas – As prefeituras da serra gaúcha montaram campanhas para arrecadar doações para os atingidos. Em Canela, os donativos podem ser entregues na sede do CTG Querência, localizado na Rua Visconde de Mauá, 301. O local ficará aberto até às 20h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3282-4077.

Em Caxias do Sul estão sendo arrecadados água potável, colchão, lonas e alimentos não-perecíveis. O material pode ser entregue em quatro pontos. Nos três postos Comboio: na Rua Pinheiro Machado, 1465; na Avenida Júlio de Castilhos, 3221; e na BR-116, na entrada de Ana Rech. A entrega dos materiais pode ser feita até as 20h desta segunda-feira e na terça-feira (14) das 9h às 20h.

Em Gramado, as doações podem ser entregues no Ginásio Perinão. As doações podem ser entregues hoje até às 19h, e de segunda-feira à sexta-feira, das 7h às 19h. (Fonte: G1)

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