Índios Gamela também estavam com armas de fogo, diz delegado

O delegado regional de Polícia Civil de Viana (MA), Jorge Pacheco, informou, na tarde desta quinta-feira, que as primeiras informações no curso da investigação dão conta de tanto os índios da etnia Gamela quanto os proprietários de terras estavam com armas de fogo durante confronto do último domingo (30), no povoado Bahias, em Viana, distante 220km de São Luís.

“Estamos no começo ainda da investigação, mas as primeiras informações dão conta de que houve agressão das duas partes, pois ambas estavam com armas de fogo… É uma região que tem o conflito, mas como está bastante policiada não tem como acontecer um conflito como aquele. Estamos cuidando para evitar os casos isolados também”, disse o delegado.

A área onde ocorreu o confronto recebeu reforço policial para que a tensão que ainda existe no local não se transforme em mais confrontos. O maior contingente é da Polícia Militar, mas as polícias Federal e Civil estão no local também de forma permanente.

O conflito é resultado de uma antiga disputa por terra na região. A demarcação ainda não aconteceu pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

O delegado Jorge Pacheco disse que o objetivo da investigação, iniciada recentemente, é identificar todos que participaram do confronto armado. O inquérito tem um prazo de 30 dias para ser concluído.

“Nós vamos apurar todos os crimes que forma cometidos nesse conflito, como lesão corporal, tentativa de homicídio, disparo de arma de fogo, possivelmente incitação ao crime. A Polícia Civil vai tentar individualizar a conduta de quem praticou esses crimes e responsabilizá-los criminalmente”, declarou o delegado.

Jorge Pacheco não detalhou quantas pessoas serão ouvidas no inquérito policial, mas garantiu que todas que participaram de alguma forma do confronto e forem identificadas vão ser chamadas para prestar depoimento.

Além dos policiais que já estão empregados na missão, o delegado regional informou que solicitou à Secretaria de Segurança Pública (SSP) a presença de peritos para auxiliarem os trabalhos.

Ao todo, 17 pessoas ficaram feridas, sendo 13 índios e quatro proprietários de terras, segundo a Funai. Três índios continuam internados em São Luís. O boletim médico da Secretaria de Estado da Saúde (SES) de quarta-feira (3), diz que os três índios gamelas internados no Hospital Dr. Tarquínio Lopes Filho estão estáveis. O paciente José André Ribeiro segue sob cuidados, com uso de antibióticos para tratamento da lesão pulmonar.

Já Aldeli de Jesus Ribeiro recebeu alta da UTI, com boa evolução do quadro lesional, sem dores e segue o tratamento com antibióticos e exames de controle. José de Ribamar Mendes permanece em estado de observação com estabilidade clínica e sem dores, cumprindo protocolo de antibioticoterapia.

Entidades de direitos humanos também acompanham a situação. Nessa quarta, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Maranhão, Pastoral da Terra e Secretaria Estadual de Direitos Humanos se reuniram em Viana para tratar do assunto. (Fonte: G1)

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