‘Terão assistência pelo tempo necessário’, diz ministro em visita a abrigo de índios venezuelanos no AM

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklimberg de Freitas, visitaram o Centro de Acolhimento de indígenas venezuelanos em Manaus, neste sábado (8). Desde o início do ano, a capital tem recebido imigrantes da etnia Warao que fogem da escassez de alimentos e da crise econômica que assola a Venezuela. “Eles terão assistência pelo tempo que for necessário, mas queremos todos que seja transitório”, disse Jardim.

Durante a visita, o ministro afirmou que ainda não há data exata de quando o governo federal liberará recursos para auxiliar a Prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas na assistência humanitária aos imigrantes venezuelanos.

Depois de Boa Vista (RR), a capital amazonense recebeu a comitiva. O ministro da Justiça e o presidente da Funai estiveram na tarde deste sábado no Serviço de Acolhimento, no bairro Coroado. O alojamento foi criado pelo governo do estado em junho deste ano e é mantido em parceria com a prefeitura. No local, os imigrantes recebem alimentação e assistência de saúde.

Roraima recebeu R$ 480 mil do governo federal para investir no Centro de Referência ao Imigrante, espaço que abriga venezuelanos índios e não-índios em Boa Vista. Entretanto, no Amazonas ainda não recebeu ajuda para atender aos imigrantes.

O Governo Federal já tinha prometido repassar, até o dia 14 deste mês, recursos para atendimento a aproximadamente 250 indígenas venezuelanos Warao abrigados em casas no Centro de Manaus. A promessa foi feita durante uma reunião na sexta-feira (7) em Brasília com o Ministério Público Federal (MPF). Apesar da promessa, o ministro da Justiça disse que ainda não há previsão de envio de recursos.

“Foram liberados R$ 480 mil para Roraima porque a situação lá é mais urgente do que aqui. A entrada se dá por Pacaraima e antes que cheguem a Boa Vista. Manaus é o terceiro ponto”, disse o ministro.

Torquato Jardim disse ainda que o governo espera que a permanência dos imigrantes venezuelanos em Manaus seja temporária. O ministro ressaltou que a presença dos imigrantes afeta o mercado de trabalho, os sistemas de saúde e escolar.

“Li vários relatórios de diferentes agências brasileiras, todavia a relevância da questão exige a presença física do ministro de estado. Testemunhar o quanto consta no relatório. A circunstância humanitária é inequívoca e não é protocolo dizer que o governo do Amazonas e governo de Roraima estão fazendo um trabalho humanitário notável. A dignidade humana é fundamento do estado brasileiro e estamos, portanto, respondendo a obrigatoriedade constitucional. Está sendo feito tudo o que é possível e há vários desafios. Eles terão assistência pelo tempo que for necessário, mas queremos todos que seja transitório”, afirmou o ministro.

De acordo com o presidente da Funai, especialistas do órgão estão auxiliando na comunicação com os índios da etnia Warao, originária da Venezuela. “Estamos aqui nessa ação atendendo, naturalmente, a um trabalho que o governo brasileiro está fazendo para orientar e auxiliar aos imigrantes venezuelanos, não só os indígenas Warao quando aos demais imigrantes que estão vindo da Venezuela. Fruto da situação que o país atravessa e naturalmente essa vinda de imigrantes para nossas cidades vem causando preocupação ao governo. O governo federal está estendendo suas mãos para apoiar essas duas instituições para a solução dessa situação que estamos vivendo. A Funai também foi consultada pelo governo brasileiro para que pudéssemos auxiliar no link dos trabalhos que o estado e município estão fazendo”, disse Franklimberg de Freitas.

Após as visitas aos dois estados, o ministro da Justiça e presidente da Funai farão recomendações ao governo brasileiro.

Imigração – Em busca de sobrevivência, os índios começaram a migrar para Manaus desde o início deste ano. Adultos, idosos e crianças se abrigaram na Rodoviária de Manaus e debaixo de um viaduto na Zona Centro-Sul. Em maio, a Prefeitura de Manaus decretou situação de emergencial social devido ao intenso processo de imigração dos indígenas da etnia Warao da Venezuela para capital amazonense.

Inicialmente, os venezuelanos ficaram alojados na Rodoviária de Manaus. Aos poucos eles foram para as ruas e cortiços no Centro e no bairro Educandos, Zona Sul. Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), 512 venezuelanos estão alojados no Serviço de Acolhimento e no Centro de Manaus até último dia 5 de julho. (Fonte: G1)

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