Viagens áreas espalharam subtipos do vírus da dengue na Ásia, diz estudo

Uma análise estatística sofisticada publicada na revista científica “PLos” nesta quinta-feira (3) mostra que o aumento de viagens áreas na Ásia contribuiu significativamente para que três subtipos do vírus da dengue se espalhasse na região. Os resultados na Ásia são consistentes com estudo de 2014 publicado no mesmo periódico sobre o Brasil – por aqui, também as viagens contribuíram para que os sorotipos do vírus da dengue fossem disseminados.

Pesquisadores investigaram a circulação na Ásia dos sorotipos 1, 2 e 3 do vírus da dengue entre 1956 e 2015. Ao cruzarem bancos de dados de passageiros do período com a incidência de subtipos no território, eles sugerem que o transporte aéreo teve um papel significativo na introdução dos variados tipos do vírus da dengue na região.

“As migrações são uma maneira de introdução do vírus no território”, diz Artur Timerman, infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses. “E o estudo tem importância porque mostra exatamente isso.”

Além do transporte de pessoas infectadas, os pesquisadores não descartam que mosquitos possam “viajar” junto com aviões. Estudos prévios já demonstraram que o Aedes pode sobreviver a longas viagens. Ainda, um estudo do início dos anos 2000 sugeriu que entre 8-20 mosquitos chegaram à França por semana no ano de 1994 por avião.

O artigo também reforça a importância da atenção global a doenças tropicais, uma vez que comprova que viagens áreas ajudam a espalhar doenças pelo globo. Artur Timerman explica que o fator também ajuda a explicar o retorno do sorotipo 4 do vírus da dengue no Brasil. Identificado pela primeira vez no começo dos anos 1970, ele veio para ficar em 2007, 2008.

“Começaram a surgir alguns casos em Rondônia e no Acre, que dividem fronteira com Suriname e Venezuela. Também foi um período de correntes migratórias vindas da África.”

Dá para controlar a disseminação por viagens? – Produtos para o controle de mosquitos no interior de aeronaves poderiam ser usados, sugere o estudo. Uma outra medida, citada pelo infectologista Artur Timerman, é um melhor saneamento básico em cidades suscetíveis ao mosquito. “Regiões caóticas, sem área verde nem escoamento de água contribuem para que o vírus permaneça porque há maior número de mosquitos”, diz. “Campanhas de combate esporádicas apenas enxugam gelo.”

Um outro ponto também seria o controle das mudanças climáticas e do efeito estufa, que podem contribuir para que, a disseminação do mosquito para outras regiões do planeta. Por fim, o artigo publicado na “PLos” salienta que uma vacina para os quatro sorotipos da dengue poderia ajudar o controle de sorotipos, bem como sua ressurgência.

Já o controle da disseminação por pessoas expostas ao vírus, é muito mais difícil – para não dizer, impossível, explica Timerman. “Além de ser problemático impedir o deslocamento de pessoas, no caso da dengue, muita gente é assintomática. Teria que testar todo mundo”, aponta Timerman.

Um outro ponto levantado pelo especialista seria a dificuldade de se estabelecer, por exemplo, uma “quarentena” em regiões com fluxo muito grande de pessoas. “Seria necessário um isolamento de 7 a 10 dias”, diz o infectologista. “Isso é impraticável.” (Fonte: G1)

Esta entrada foi escrita emClipping e tags
Ambientebrasil - Notícias located at 511/67 Huynh Van Banh , Ho Chi Minh, VN . Reviewed by 43 customers rated: 4 / 5